Vereador de Guaíba propõe Lei Seca

Vereador de Guaíba propõe Lei Seca

O Projeto de Lei nº 079/2017 do vereador Alex Medeiros (PP) proíbe o consumo de bebida alcoólica em todos os locais públicos do município, a partir das 22 horas. Se aprovada, a chamada “Lei Seca” não se aplicará à eventos públicos, onde a comercialização de bebidas esteja autorizada pela prefeitura. A proposta também não vale para bares, quiosques, lanchonetes, casas de eventos e restaurantes.


Beira- foto: Valmir Michelon

Guaíba é privilegiada por uma orla maravilhosa e bem cuidada, mas apenas um bar está no calçadão que margeia o lago. Num dos cartões postais da cidade, a Beira, que inclui espaços públicos como Parque da Juventude, Skate Parque, píer, largo da hidroviária, prainha e Praça da Bandeira, a “Lei Seca” vai imperar, se os vereadores levarem adiante essa ideia.


vista aérea da orla- foto: Phanton produtora

O motivo do Projeto de Lei, segundo justificativa, estaria “fundamentado nos direitos à segurança, à saúde, à tranquilidade e ao sossego público”. No entanto, não existem dados científicos ou quaisquer amostragens que sustentem a proposta. O tema também não foi debatido com especialistas nessas áreas.


Praça da Luz, Cohab- foto:divulgação Prefeitura

Com a “Lei Seca” os guaibenses podem esquecer aquele churrasquinho com amigos e familiares, na pracinha do bairro, ou até mesmo na calçada. Aliás, esse é um programa muito comum nos parques da capital gaúcha.

Vista da Escadaria- foto: Civa Silveira

O conservadorismo avança a passos largos e se não tomarmos cuidado as proibições invadirão também os nossos lares.

Casa de Gomes Jardim no Sítio Histórico – foto: Civa Silveira

Governo Temer autoriza o trabalho escravo

O governo conseguiu lançar mais uma bomba sobre as nossas cabeças. Além da reforma trabalhista que retira direitos dos cidadãos, o ministério do Trabalho editou medida provisória que flexibiliza as regras de combate ao trabalho escravo. Mais uma humilhação aos trabalhadores brasileiros.


Pedro Haas Lacerda de 67 anos- foi resgatado após 29 anos de trabalho escravo, em Rio Pardo. foto:SRTE-RS

Agora não basta trabalho forçado, servidão por dívida, condições degradantes ou jornada exaustiva, para representar trabalho escravo no Brasil. A portaria nº MTB Nº 1129 DE 13/10/2017 redefiniu condição análoga à de escravo:

“Submissão do trabalhador a trabalho exigido sob ameaça de punição, com uso de coação, realizado de maneira involuntária;
Cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto, caracterizando isolamento geográfico;

Manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto;

Retenção de documentação pessoal do trabalhador, com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho”.

Por conta da atitude desastrosa, que atende interesses de empresários escravagistas, o Brasil ganhou destaque negativo, nem poderia ser diferente, em todos os organismos sociais e instituições que balizam as condições de trabalho.

Casebre onde vivia seu Pedro Lacerda – foto: SRTE-RS

A portaria foi publicada na segunda-feira, 16, dois dias antes da votação, na Câmara Federal, do relatório que barrava a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da República.

Trabalho escravo pode salvar Temer

O ex-procurador-geral da República acusou Temer de tentar barrar a Lava Jato e chefiar um grupo criminoso no PMDB. Rodrigo Janot também acusou o presidente de atuar em favor de empreiteiras e outras empresas em troca de propina, quando era deputado.

A denúncia analisada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi votada nesta quarta-feira, 18. O resultado, claro, foi favorável a Michel Temer. 39 deputados aprovaram o relatório que impede a investigação, 26 votaram contra e 1 parlamentar não compareceu. A decisão final ainda passará pelo Plenário da Câmara Federal.


foto: Cleia Viana- Câmara Deputados

Para que o STF processe Temer são necessários 342 votos dos 513 deputados. Em agosto, a primeira denúncia foi barrada por 263 votos a favor do presidente e 227 contra.

Se o governo revogar a portaria do trabalho escravo é provável que perca os votos, principalmente, da bancada ruralista que reivindicou a mudança.

O que está acontecendo com a humanidade?


Portal Viu

Temos uma grande oferta de conhecimento em todas as áreas, acesso fácil e gratuito às novas tecnologias, entre outras maravilhas da rede mundial de computadores, mas nosso bom senso parece que parou no tempo.

Alguém tem uma explicação para o crescimento vertiginoso da extrema direita, apesar das suas atitudes racistas, homofóbicas, separatistas e machistas? Os candidatos dessa linha disputaram o segundo turno na França e agora, pela primeira vez, chegaram ao parlamento da Alemanha, sendo a terceira força política. EUA e Coréia do Norte ameaçando estourar a terceira Guerra Mundial.


imagem youtube


Diário Notícias Madeira

E aqui no Brasil não está muito diferente. Temos perseguição às artes; peças de teatro canceladas por decisão judicial; deputado quer banir o funk; psicólogos defendendo a cura gay; general sugeriu a tomada do poder pelas forças armadas e, crescimento nas pesquisas, de um pré-candidato à presidência da República que estimula o ódio.


protesto pelo fechamento da exposição Queer Museu- Santander Cultural- Porto Alegre- Guilherme Santos

Que momento apocalíptico é esse que nos faz odiar mais do que amar?

MBL assume autoria do atentado contra a arte em Porto Alegre

Obra de Bia Leite.

Ando inconformada com o perfil conservador e intolerante que começa a surgir no Rio Grande do Sul. A mobilização nas redes sociais pedindo o boicote à exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, no Santander Cultural em Porto Alegre, foi o ápice da ignorância artística.

Os protestos que resultaram no cancelamento da mostra, um mês antes do previsto, têm motivos pra lá de ultrapassados, como desrespeito à Jesus Cristo, apologia à pedófila, zoofilia e ao homossexualismo, entre outras aberrações vociferadas no mundo virtual.

Para amenizar nossa vergonha o Movimento Brasil Livre (MBL) reivindicou a autoria, do que defino como um atentado terrorista à arte. Evidentemente não será fácil para os portoalegrenses livrarem-se dessa mancha de censores da cultura.

Envergonhada custo a acreditar que isso esteja acontecendo no nosso estado, tido como um dos mais politizados do país e com sólida formação cultural.

Nem o pioneirismo jurídico na defesa dos direitos dos homossexuais e respeito à diversidade foi suficiente para barrar esse retrocesso.

Os gaúchos vivem tempos difíceis e os acontecimentos estão aí para, espero, promover grande reflexão.

Tivemos o Ministério Público estadual sugerindo um tipo de toque de recolher na Cidade Baixa; o prefeito da capital conseguiu, na justiça, proibir protestos contra o seu governo; a Brigada Militar barrou o protesto do Grito dos Excluídos e vem agindo de forma questionável o em desocupações; escolas são cravejadas de balas por criminosos, em horário de aula; professores são espancados por alunos e pais e por aí segue uma vergonhosa lista.

Espero que o escudo contra esse conservadorismo seja o nosso currículo de comprometimento com a cultura.

A capital gaúcha realiza a maior feira literária a céu aberto da América Latina, o Porto Alegre em Cena é uma referência em teatro internacional e há 20 anos seríamos a Bienal de Artes Visuais do Mercosul, só para citar alguns eventos do circuito internacional.

Gaudêncio Fidelis, curador da exposição – entrevista para Ivan Mattos do Jornal do Comércio

Agroindústria familiar na Expointer foi coisa do Olívio Dutra

Agroindústria familiar na Expointer foi coisa do Olívio Dutra


foto: divulgação Palácio Piratini

Muitas pessoas não sabem, outras não lembram e algumas não darão o braço à torcer, mas quem abriu as porteiras da Expointer para a agricultura familiar foi Olívio Dutra, no segundo ano do seu mandato, em 1999.

Até então a pecuária era o foco da maior exposição agropecuária da América Latina, mas o governador petista destinou um pavilhão para aos pequenos produtores.

foto:Tina Griebeler -Expointer 2017

O MST tinha invadido uma fazenda em Hulha Negra e os pequenos agricultores estavam com crachá de expositor. Os fazendeiros ficaram incomodados
e ameaçaram boicotar a Expointer.

Antes que “estourasse a boiada” o bom senso financeiro prevaleceu e a feira foi um sucesso de público e renda.

Passados 18 anos ninguém concebe a Expointer sem a presença da agroindústria familiar. Aliás, as vendas desse segmento, que representa cerca de 27% do PIB gaúcho, aumentam ano após ano.


foto: Tina Griebeler

Em 1999 eram 30 expositores com seus produtos orgânicos e coloniais. Nesta 40ª edição da Expointer, segundo dados são organização, sao 201 empreendimentos de 131 municípios do Rio Grande do Sul.
No ano passado o segmento comercializou cerca de R$ 2 milhões.

A elite rural não tolerava o Olívio Dutra, mas foi o governador que tirou a Expointer do vermelho e encaminhou o primeiro saldo positivo, segundo dados da Contadoria Geral do Estado(CAGE),apresentados na edição daquele ano.

O setor de Máquinas agrícolas, atual carro-chefe da Expointer, também foi impulsionado pelo governo de Olívio Dutra, mas este é assunto para outro post.
Por enquanto fica a foto de Olívio com representantes do Sindicato de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do RS.


foto:Tina Griebeler

Cambará do Sul é terra de cânions, frio e até árvore lunar


Cambará do Sul na região dos Campos de Cima da Serra é tida como uma das cidades mais frias do Brasil e que seguidamente tem precipitação de neve. Mas o município de aproximadamente 7 mil habitantes tem outros encantos além do frio intenso, que são os maravilhosos cânios.

foto: Miriam Jahn

Mesmo no inverno os dias estão ensolarados neste ano, o que permite uma visibilidade maravilhosa do Itaimbezinho nos Aparados da Serra – com paredões de 720 metros de altura e 6 quilômetros de extensão – e o Fortaleza, na Serra Geral – com 7,5 quilômetros de extensão, 900 metros de altura e 1,5 quilômetros de largura.


Itaimbezinho


Cascata véu de noiva – Itaimbezinho

Itaimbezinho e Fortaleza têm trilhas com níveis de esforço leve, moderado e alto que podem ser autoguiadas, já as caminhadas pelo interior dos cânios necessitam de guia especializado. A visita ao Malacara e Churriado também deve ser acompanhada por guia.
Diversas agências na cidade oferecem esse serviço, além de cavalgadas e passeios de bicicleta ou em caminhonetes 4×4.

Casas de Cambará

Centro Cultural e Museu

Quando revisito algumas cidades sempre quero encontrar algo novo, mas que remeta ao passado e conte uma história. É assim que consigo compreender a formação de vilarejos e pequenas ou grandes cidades.

Neste meu retorno a Cambará, andando à noite pela cidade observei melhor as casas mais antigas. O patrimônio arquitetônico não está lá muito preservado, mas existe e conta uma historia importante.

Antigo colégio

Árvores de Cambará

Cambará é nome de uma árvore típica do lugar e quer dizer “folha de casca rugosa” na língua tupi-guarani. Na praça São José tem 2 exemplares da árvore símbolo do município.


Cambará

Na mesma praça tem uma sequoia, árvore que pode atingir 90 metros de altura, 6 metros de diâmetro e viver milhares de anos. Só isso é suficiente para atrair o interesse dos visitantes, mas a de Cambará é ainda mais especial, pois é uma “árvore da lua”.


Sequoia lunar
foto:Panramio

Em 1971 o astronauta Stuart Roosa levou na missão da Apolo XIV em 1971, sementes de diversas plantas para observar o comportamento. Ao retornar muitas germinaram e as mudas foram plantadas e vários países.

A versão oficial de como uma dessas mudas chegou até a Cambará do Sul é que o prefeito Pedro Teixeira Constantino (já falecido) tinha conhecidos influentes em Brasília. Plantada em 26 de novembro de 1982 a sequoia está com aproximadamente 30 metros de altura e 70 centímetros de diâmetro.
O Rio Grande do Sul tem uma segunda sequoia lunar na praça principal do município de Santa Rosa.


O turismo tem impulsionado Cambará e nos últimos anos aumentou a oferta de pousadas, hostel, bares e restaurantes com comida típica gaúcha.

Rodrigo Maia engavetou pedido de impeachment de Temer e OAB recorre ao STF

Presidente da OAB Cláudio Lamachia
foto:Valter Campanato/Agência Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil ingressou nesta quinta-feira(17) no Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança contra Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que ele decida sobre o pedido de impeachment do presidente Temer. Há quase três meses a OAB protocolou o documento na Câmara dos Deputados, mas o presidente não deu qualquer andamento no processo o que, na opinião de Claudio Lamachia é um ato “omissivo, abusivo e ilegal”.


foto: Brasil 247

A instituição solicitou a cassação do mandato de Michel Temer baseada no parecer produzido pela comissão especial convocada para analisar a conduta do presidente Michel Temer relatada em delação premiada do empresário Joesley Batista, conforme manifestação divulgada no site da OAB.

Claudio Lamachia lembrou que Rodrigo Maia tem responsabilidades com a sociedade. “Essa postura nos leva a crer que o presidente da Câmara serve como uma muralha de proteção do presidente da República. E não é isso que a sociedade quer ver”, declarou.

A OAB ingressou com pedido de impeachment de Temer no dia 25 de maio e até o presente momento Rodrigo Maia, a quem cabe a responsabilidade de aceitar ou recusar a solicitação, não disse se aceita ou rejeita. “Não é crível, não é lógico e não é razoável que o presidente da Câmara demore 80 dias para um simples despacho de admissibilidade ou de indeferimento”, afirma Lamachia.

Já são 25 pedidos de impeachment de Temer protocolados na Câmara dos Deputados, sendo 22 por conta da delação da JBS. Rodrigo Maia não decidiu nada sobre nenhum deles.

INTEGRA DO MANDADO DE SEGURANÇA
http://s.oab.org.br/arquivos/2017/08/ms-ato-omisso-rodrigo-maia-camara-dos-deputados-nao-processamento-pedido-de-impeachment-ii-1.pdf

A Cidade do Fim do Mundo é bem pertinho

Vista do Canal de Begle à noite e com neve

Para quem gosta de frio este é um período maravilhoso para visitar as terras geladas da Patagônia argentina. Não precisa ser em Bariloche que só a fama já encarece a viagem, mas que tal Ushuaia, a cidade mais a austral do planeta, capital da Terra do Fogo?

Um lugar frio ser chamado de Terra do Fogo parece não fazer sentido algum, mas tudo sempre tem uma explicação. Segundo a Wikipedia o nome surgiu no século XVI, quando o navegador português Fernão de Magalhães – ” Fogos dispersos e colunas de fumaça das fogueiras dos nativos pareciam boiar sobre as águas, no nevoeiro do amanhecer.”

Farol do Fim do Mundo no Canal de Begle


Arbol Bandera- o vento do oceano pacífico que entorta a vegetação.

Ushuaia também tem o título de La ciudad del Fin del Mundo (A cidade do Fim do Mundo), embora os chilenos reivindiquem essa designação uma vez que Puerto Williams está mais ao Sul do continente.
Só que o vilarejo é uma base militar com cerca de 2.500 habitantes, enquanto Ushuaia tem aproximadamente 60.000 habitantes.

Tradicional lugar de fotos para quem visita a capital da Província da Terra do Fogo

Cerro Martial é uma estação de inverno pública.

Cerro Castor é a estação de esqui mais austral do mundo. Devido a baixa temperatura é possível esquiar em neve natural o ano todo.

Porto Alegre a Ushuaia são cerca de 4 mil e 400 quilômetros e no link a seguir tem informações sobre passagens aéreas e de ônibus, ambas com saída da capital gaúcha, e também sugestões de rotas para quem quer uma aventura de carro. Aliás, fazer essa viagem de carro deve ser emocionante.
https://www.rome2rio.com/pt/s/Porto-Alegre/Ushuaia

Silêncio das panelas, mudez das ruas e negociatas livram Temer da investigação

Brasília – Plenário da Câmara rejeita autorização para STF investigar denúncia contra o presidente Michel Temer (Wilson Dias/Agência Brasil)

Deputados livram Temer de investigação pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da justiça. (foto- Wilson Dias/Agência Brasil)

O mundo inteiro viu deputados fazendo pouco caso da rejeição do presidente Temer por mais de 80% da população. Alguns com comportamento colegial foram repreendidos pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Como se não bastasse, um parlamentar machista berra “gostosa” quando uma colega é chamada para registrar presença. Rodrigo Maia perdeu a oportunidade de alertar que o ato sexista não é atitude de homem, muito menos dentro do Congresso Nacional.

A vitória de Temer na Câmara Federal não me surpreendeu. O que me assustou foi com o silêncio sepulcral das panelas. A orquestra dos paneleiros parecia um símbolo de combate à corrupção, mas era apenas uma manifestação barulhenta contra o governo Dilma. Não estranhei os parlamentares que vociferaram contra a corrupção, na votação que aprovou o impedimento da ex-presidente, terem barrado a investigação de Michel Temer pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de justiça. Fiquei incomodada com a mudez das ruas.

Sumiram as chamadas “pessoas de bem”, que faziam “manifestações pacíficas” sem representação de partidos políticos e com o apoio irrestrito da imprensa. Para onde migrou toda aquela gente que clamava pelo fim da corrupção? Aquelas pessoas não dão a menor pelota se Temer está denunciado, se tinha uma mala com R$ 500 mil, se muitos dos seus ministros são réus ou se o governo comprou votos dos deputados antecipando dinheiro de emendas parlamentares.

Segundo levantamento do Jornal Valor Econômico, Temer gastou mais de R$ 13 bilhões para barrar a denúncia do Ministério Público Federal e aceita pelo Supremo Tribunal Federal. Foram R$ 4,15 bilhões com emendas parlamentares e R$ 13,2 bilhões para refinanciar a dívida de produtores rurais e aumentar os royalties da mineração.

Agora temos que preparar o bolso para pagar essa conta elevadíssima. Além da reforma da Previdência, que só os empresários acham necessária, deve vir arroxo salarial e mais cortes em programas sociais. Sem contar, é claro, com mais aumento de imposto.

Atores de Roda Viva foram espancados em 1967. Maikon K é preso durante espetáculo 50 anos depois


foto: divulgação Palco Giratório Sesc

É impossível digerir a maneira violenta como alguns policiais militares do Distrito Federal imprimiram ao artista paranaense Maikon Kempinsk durante a apresentação do espetáculo “DNA de DAN”. Na performance que integra o catálogo nacional de espetáculos do Palco Giratório do Sesc, Maikon K, como é conhecido, tem seu corpo coberto por uma substância que leva cerca de duas horas para secar. Ele está dentro de uma bolha de plástico transparente e o público acompanha a transformação do corpo nu. A pele rompe-se conforme os movimentos da dança. A concepção do artista relaciona DAN, uma serpente ancestral africana que deu origem a todas as formas de vida, com o corpo humano.

Pois foi durante essa intervenção urbana de dança-instalação, no último sábado (16), por volta das 17 horas, ao lado do Museu Nacional da República, em Brasília, que a polícia militar invadiu o palco, encerrou a apresentação, destruiu o cenário, prendeu Maikon K e o levou para a 5ª Delegacia de Polícia, sob alegação de ato obsceno. Isso mesmo: ATO OBSCENO, cuja pena varia de três meses a um ano de detenção.


foto: internet

A igreja católica perseguiu muito o nu artístico na escultura e na pintura. Um exemplo do combate ao que o Vaticano denominava apelo carnal foi o afresco do Juízo Final, no teto da Capela Sistina, no Vaticano, obra prima de Michelangelo (1537 e 1542). A pintura sofreu intervenção para esconder as genitálias das personagens, mas na restauração, em 1980, todas as vestimentas incluídas foram retiradas da obra original.

A referência à Capela Sistina é para lembrar que esse tipo de perseguição à arte já era criticada na primeira metade do século XVI. Particularmente, adoraria saber a opinião do Papa Francisco sobre essa atitude repressora da polícia em pleno século 21.

The Sistine Chapel. Vatican, Rome, Italy

A ação da PM na capital da República remete, inevitavelmente, ao triste período de censura da ditadura militar. No livro Amordaçados: uma história da censura e de seus personagens, a jornalista Julia Carvalho aborda a censura desde o Brasil Colônia até a redemocratização do país.

Pois há exatos 50 anos, em 18 de julho de 1967, artistas foram espancados por integrantes do Centro de Caça aos Comunistas (CCC). O grupo paramilitar invadiu o teatro Galpão de Ruth Escobar, em São Paulo, e agrediu o elenco da primeira apresentação de Roda Viva de Chico Buarque.
O ataque está registrado no livro Maria Ruth – Uma Autobiografia que conta a trajetória de Ruth Escobar. A atriz e diretora produziu
espetáculos revolucionários e marcantes do teatro brasileiro.

Maikon K publicou sua manifestação nas redes sociais
www.facebook.com/maikon.kempinski



imagem: youtube

Versão da Polícia Militar
Através de nota a Polícia Militar disse que foi chamada para resolver o problema de um homem nu no Museu da República.”Como não foi apresentada nenhuma documentação/autorização do museu tampouco da administração de Brasília, foi determinada a paralisação da referida exposição e foi dada voz de prisão ao elemento nu.”

O governador Rodrigo Rollemberg e o secretário de Cultura Guilherme Reis telefonaram para pedir desculpas ao artista e publicaram nota na página oficial. www.df.gov.br

Trecho da nota oficial do Sesc-DF
“A proibição da performance em Brasília, os prejuízos materiais à obra e a detenção do artista constituem uma arbitrariedade que coloca em risco não apenas a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Brasileira e por documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, mas interfere nos direitos culturais do público. Não vivemos mais em uma época em que um policial militar pode definir isoladamente a realização ou não de um evento”.