O pequeno bailarino de Guaíba foi dançar na eternidade

Facebook Alex

Uma história de vida que parecia ir ao infinito por causa da dança, começou e terminou tão triste.

O Alex Barbosa foi um menino sofrido,vítima de homofobia já aos 12 anos, mas teve a sorte encontrar uma professora especial, que cuidou demais dele, a incansável Rosaura Alves.

A dança e o estímulo da professora despertaram em Alex o sonho de dançar na Escola de Teatro Bolshoi do Brasil, em Joinvile, Santa Catarina, única unidade fora da Rússia.

Foi nesse ponto que o conheci. Ele e outros alunos faziam uma apresentação em frente à prefeitura de Guaíba, na abertura da Semana da Pátria de 2011. Ele tinha algo especial. Me apaixonei!

Ali tinha uma história que precisava ser contada e o jornalista Filipe Peixoto e o cinegrafista Glaucius Oliveira da BAND TV narraram a vida daquele menino com muita delicadeza e generosidade. Aquele gurizinho que despertou para o balé num projeto social, ganhou o mundo e a vida do Alex deu um “Jeté” (aquele salto do balé clássico).

Nos bastidores da prefeitura de Guaíba, muitos ajudaram a conseguir recursos para que o Alex pudesse morar em Joinvile, pois a bolsa era para estudar oito anos na Escola de Teatro Bolshoi do Brasil. Roupas, tratamento dentário e tantas outras coisas, antes de mudar tudo completamente.

A imprensa local, Nova Folha, Gazeta Centro Sul, O Guaíba e a Revista Guaíba Total sempre deram muito destaque ao jovem talento. Ele era prata da casa.

O pequeno bailarino da Vila São Jorge, em Guaíba, passou no teste do Bolshoi e conseguiu a bolsa. Parecia inacreditável.

Ficávamos emocionados em ver o progresso daquele pequeno bailarino de sapatilhas furadas, delicadamente registrado na reportagem de Filipe Peixoto da Band TV. Ele aprendendo a dançar balé, com aquela professora que se transformaria na sua verdadeira mãe.


Facebook Rosaura

Foram mais de seis anos dançando em uma das melhores escolas de balé do planeta. Os últimos dois anos ele não fez e sua vida mudou radicalmente mais uma vez. Alex Barbosa voltou àquele submundo de violência e drogas, que conheceu ainda adolescente.

Brigou com todos, até com a professora Rosaura e os amigos do Bolshoi. Mergulhou fundo na autodestruição, mas emergiu e estava resgatado sua vida.

Retornou para Guaíba há sete meses e começaria na segunda-feira(12/12) a dar aulas de flauta e piano em projetos sociais do município.

Não deu tempo. Morreu afogado em um açude de Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre, no último domingo (11/11).

Em 2011 choramos ao conhecer a vida difícil do adolescente que queria ser bailarino e enfrentava a discriminação e o desprezo. Hoje choramos a morte trágica do jovem de 19 anos.


facebook Alex-foto de domingo junto ao açude em que morreu

Estava com a família e um primo tentou salvá-lo, mas não conseguiu. Segundo os parentes, suas últimas palavras teriam sido: “Se eu não voltar mais, avisa a Rosaura que eu amo ela”.

Alex venceu muitos obstáculos, apesar de todas as adversidades e injustiças sociais.
Que sejas recebido num imenso palco onde poderás dançar eternamente, meu pequeno bailarino.

Parece que as pessoas contraíram o vírus da maldade


foto:Guilherme Santos- Sul 21
Parece que as pessoas contraíram o vírus da maldade

Me pergunto todos os dias, desde que o início da disputa eleitoral, quando foi que as conquistas sociais, trabalhistas e de humanidade começaram a desmoronar? Em algum momento se abriu a gaveta da falta de civilidade e as pessoas começaram a agir com raiva, espancar gays e negros, entre outras selvagerias.

Quem dera fosse um filme de ficção, onde cientistas do mal liberam um vírus que contamina os seres humanos e os transforma em zumbis.

Mas este roteiro é de documentário, infelizmente. Voltou o tempo triste que nós mulheres tínhamos medo do assédio masculino no trabalho, na rua, em bares e tantos outros lugares. Voltaram aqueles dias, que nunca sumiram totalmente, de ouvir as indigestas piadas racistas e incontáveis ofensas. Muitas pessoas da comunidade LGBTI+ são ameaçadas diariamente e muitas foram espancados a até a morte.


Que tipo de sentimento esses agressores têm? Eles têm família? Amam? Gostam de cinema? Celebram o Natal? Será que esses agressores abraçam outras pessoas?

Aquela polícia de ações mais humanitárias, com projetos de aproximação com as comunidades carentes também está com os dias contados. O presidente eleito Jair Bolsonaro já avisou que os policiais terão ” licença para matar”. Até as pessoas comuns poderão ter armas de fogo, mediante o cumprimento de algumas normas. Ocorre que o Brasil é um dos países com mais mortes por arma de fogo do planeta. Poderemos ter uma legião de “justiceiros”, no pior estilo “Desejo de Matar”.

Quando um líder político estimula os instintos irracionais da população o risco é iminente. Isso tem tudo para dar errado.

A matança de cães em Herval segue sem solução

Continuo pensando na matança dos cães em Herval, a minha cidade natal. Já passaram 20 dias, a polícia segue investigando, mas ainda não divulgou prazo para a conclusão do inquérito. Dois ou três suspeitos é o que se tem até agora.
Na cidade toda foram dezenas de cães envenenados e um gatinho. Nessa imagem dolorosa estão oito dos nove animais mortos na propriedade do Ademar e da Clareci. Fiquei mais triste quando perguntei os nomes dos cães, mas pensei que se mais pessoas ficarem comovidas a solução venha mais rápido.


Conhaca, Pintado, Urso, Cusca, Ratinha, Totoco, Cocói, e Amiguinho (da para direita)

Tenho pensado se vai ficar por isso mesmo e se a mobilização dos defensores da causa animal e da imprensa teria sido em vão. Meu lado otimista acredita que os responsáveis serão punidos, mas os exemplos estão aí para duvidarmos. Infelizmente não conheço muitos casos de pessoas que foram presas por maltratarem animais. Aliás, acho que são pouquíssimos.

Enquanto isso ficamos com esta triste imagem dos bichinhos mortos, um ao lado do outro em uma vala.
Que tipo de pessoa faz uma maldade dessas? Quem matou? Ou quem mandou matar os cachorros? A população gaúcha quer saber.

Sobre os imbecis machistas que gravam vídeos insultando mulheres russas


Sobre os imbecis machistas que gravam vídeos insultando mulheres russas


Torcedores brasileiros constrangem mulher russa com atitude machista- foto Carta Capital

Qual a graça de enganar uma mulher e compartilhar com o mundo?
Ela dá atenção aos brasileiros, os recebe bem e eles protagonizam um filmezinho machista com roteiro pra lá de ralé. Induziram a guria, que não compreende nosso idioma, a cantar um hit autoral com as palavras “buceta rosa”, entre outras menções ao órgão sexual feminino.

Mundialmente os brasileiros são conhecidos como alegres, festeiros, receptivos e o povo do carnaval. Não temos a fama de alguém que despreza, maltrata, ironiza e desrespeita outras nações. Pois não é que esses caras conseguiram repetir os antepassados das cavernas. Envergonharam o país.

Não entendo o tipo de prazer que tiveram. Afinal, a mulher não sabia o que estava falando. São muito desprezíveis!

Embora a Rússia não integre a lista dos países que respeitam os direitos humanos, a atitude ultrajante desses machistas coloca nossa autoestima abaixo do rabo do cachorro.

As consequências do constrangimento sofrido pela mulher russa

Alivia um pouco a vergonha alheia a pronta atitude da Latam, que demitiu sumariamente um funcionário Felipe Wilson, identificado no vídeo.

A Polícia Militar de Lages, SC, emitiu nota reprovando a atitude do tenente Eduardo Nunes e prometendo investigação administrativa. Tomara que nenhuma mulher vítima de violência precise ser atendida por esse policial, pois é enorme o risco de um desfecho machista.

Ainda não há nada muito concreto sobre o advogado pernambucano,Diego Valença Jatobá. A OAB-PE disse que vai investigar o, que foi secretário de Turismo de Ipojuca, município onde está Porto de Galinhas, um dos destinos mais visitados do Brasil. Nem quero imaginar as coisas que esse cidadão é capaz de fazer no comando de uma área dessas.

A prefeitura de Araripina,no sertão pernambucano, onde trabalha o engenheiro-civil Luciano Gil Mendes Coelho, também emitiu nota manifestando indignação com a misoginia e o machismo do servidor.

As russas querem que esses homens peçam desculpas publicamente pelo desrespeito.
Mais vídeos com conteúdos semelhantes foram produzidos por outros torcedores brasileiros.
Um caso que também ganhou repercussão foi o da repórter russa que foi assediada enquanto fazia entrevistas com torcedores.

Assédio a repórter russa do iG por torcedores brasileiros- imagem reprodução iG

É impressionante como alguns grupos de machistas com celular na mão se transformam em trogloditas com claves em punho.

Erro primário de repórter é transformado em cerceamento à imprensa


Imagem do vídeo que circula na internet

Jornalistas que vivem de emitir opinião e repórteres têm sido vítimas das armadilhas mais comuns da profissão: pressa e vaidade Elas vêm causado constrangimentos e até colocado em risco a vida de alguns profissionais.

O episódio envolvendo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e o repórter da RIC Record do Paraná, no acampamento pró-Lula, em Curitiba, é o último exemplo dessa armadilha.

Ao perceber que Marc Sousa faria a passagem, que é quando o repórter aparece na reportagem, em frente à concentração dos movimentos sociais, Milton Simas foi até o local e o alertou sobre o momento altamente inadequado. Horas antes houve um atentado a tiros contra o acampamento que resultou em três pessoas feridas. Aliás, um profissional um pouco mais sensato faria isso mais de longe.


Milton Simas no acampamento pró-Lula em Curitiba Nesta imagem é possível ver ao fundo a delimitação de área.

Na mídia tradicional e nas redes sociais a desproporcionalidade de destaque dos dois fatos adquiriu dimensões geométricas Taxada de cerceamento à liberdade da imprensa, a atitude do presidente do Sindijors conseguiu ser mais importante que o atentado.

Até entidades associativas que andavam adormecidas usaram a atitude, responsável, de Simas para criticar o sindicato. A crítica é legítima, o que não é legítimo é distorcer o fato. A menos que a versão seja mais importante, também para nós jornalistas!

Os repórteres que cobrem a pauta diária da Lava Jato estão habituados a transitar nas dependências administrativas da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, mas não estão familiarizados com situações tensas.

Talvez, de forma inocente o jornalista Sousa tenha pensado em fazer diferente do resto da imprensa nacional e internacional que está em Curitiba. Não o critico por isso, mas correu um risco desnecessário. Pra quem não sabe, situações assim precisam ser negociadas entre o repórter e a assessoria dos movimentos sociais.

São inúmeros os casos de repórteres feridos nas últimas coberturas de protestos. Aqui em Porto Alegre teve um episódio recente na Praça da Matriz, por ocasião da votação do projeto de extinção das Fundações na Assembleia Legislativa. Os manifestantes forçaram a entrada no parlamento e a Brigada Militar avançou a cavalaria, usou bombas de gás e balas de borracha contra os funcionários públicos.
Os repórteres se afastaram para trabalhar em segurança.

Às vezes podemos ser traídos pelo excesso de confiança e nesses casos um conselho dos mais experientes é de grande valia. Outra dica são os cursos que preparam jornalistas para o trabalho em ambientes de conflito.

Consumidores denunciam golpe de frentista e vídeo viraliza

Ainda estou chocada com o que aconteceu comigo no posto Ipiranga Lyon, na Avenida Sertório, nº 3837, próximo da Rua da Várzea, em Porto Alegre.

Já havia abastecido e estava indo embora, mas lembrei que precisava calibrar os pneus. Um jovem frentista muito atencioso fez o trabalho, agradeci e já saía quando ele me avisou num tom de voz mais alto: “Senhora, tá saindo fumaça do seu carro. Abre o capô”.

Assustada, abri imediatamente o capô e fui em frente ao carro para ver o que acontecia. O rapaz já estava abrindo a tampa do recipiente que armazena um líquido cor de rosa para o arrefecimento do radiador.

– “Olha só, estava aberta a tampa! Alguém mexeu aqui?”, perguntou o frentista.

Respondi que o carro tinha sido revisado na concessionária há pouco tempo e que nunca permito que abram o recipiente do líquido rosa. Mas ele se manteve firme em convencer-me dos riscos que corria. Perguntou se eu morava próximo e tal e insistiu:

– “Toque aqui nessas mangueiras prá senhora ver como tá quente”.

Respondi que achava normal pois o motor estava quente. Ele seguiu listando os riscos:

– “Se andar no carro nesse estado, pode queimar a bomba d’água, mais isso, mais aquilo, até fundir o motor”.

Outro frentista se juntou a ele e reforçou os perigos iminentes. Parecia que meu carro era uma arma química letal. Fiquei entre a dúvida e a contrariedade, mas achei que não valia economizar R$ 200,00 diante de tamanho risco.

Acompanhei o serviço no setor Jet Oil da Ipiranga, mas achando que estavam pulando fases. Sugaram o líquido, que parecia novo, para um recipiente grande e soltaram as mangueiras. Parecia um ki-suco de morango escorrendo no chão. Não precisava entender coisa alguma de radiador para ver que, no mínimo, um pequeno dano ambiental estava ocorrendo ali.

Líquido cor de rosa ainda, espalhado no chão

Por intuição, suspeitei que a operação ainda não estava completa quando começaram a colocar o produto novo. Questionei, mas argumentaram, os dois frentistas que me atendiam, que aqueles líquidos não se misturavam. Pensei na água e no óleo e deixei assim para não parecer muito burra e empurrarem mais alguma coisa. Mas estavam dispostos a faturar naquele sábado. Se olhavam, cochichavam… Então percebi que colocavam um outro produto, nem sei o que era, no compartimento da gasolina. Se é que colocaram, pois a agilidade era de Fórmula 1.

Sentindo que o valor iria aumentar, perguntei o que estavam colocando no tanque e reclamei. Disseram que era necessário por causa da troca do fluido blá, blá, blá. Mais R$ 150,00 pelo frasco de 450 ml. Fiquei danada da vida, disse que estava desconfiando da seriedade deles, que levaria o carro na concessionária e, se nada daquilo fosse necessário, voltaria para pegar meu dinheiro.

O gerente disse que não estipulavam preços e não me deu assunto. Solicitei nota com a especificação de tudo e, apesar da minha bronca, foram generosos e parcelaram os R$ 349,50 no cartão e sem juros.

Produto pra limpeza da injeção eletrônica dos carros

Deixei o posto pensando que o meu sábado poderia ter sido sem fluido de arrefecimento, líquido de arrefecimento ou aditivo de arrefecimento e sistema de injeção. Parei no próximo posto Ipiranga para conferir os preços e, para completar minhas suspeitas, o frasco de R$ 150,00 custava R$ 29,90. Fui em outro posto da mesma bandeira e perguntei se aquele produto necessitava ser colocado quando se fazia a troca do líquido do radiador.

Certamente o frentista me achou uma analfabeta em mecânica, mas respondeu com educação:

– “Não, senhora. Isso é para misturar com a gasolina”, garantiu ele.

Voltei ao posto disposta a pegar meu dinheiro. O gerente disse que não estabelecia preço e não podia fazer nada. Falei que chamaria a polícia.

– “Pode chamar. Faça o que a senhora quiser”, provocou ele.

Para o azar deles, naquele momento, outro cliente reclamava da mesma coisa. Identificamos que a abordagem assustadora e mentirosa foi idêntica e a facada também. Unimo-nos e chamamos a polícia que, aliás, atendeu-nos muito bem. Senti segurança com a presença deles para seguir adiante.

Gilmar também teve que fazer a mesma operação no seu carro

Enquanto os brigadianos registravam o ocorrido, resolvi relatar tudo numa transmissão ao vivo pelo Facebook. No domingo à tarde o vídeo começou a repercutir. Estava em 7 mil visualizações, à noite, 200 mil e na manhã de segunda-feira ultrapassava 300 mil.


Atendidos pelos policiais Matheus(E) e Fagner

Tínhamos combinado seguir adiante com a denúncia e assim fizemos: fomos à Delegacia do Consumidor e ao Procon de Porto Alegre. No meio da tarde soube que uma ação conjunta desses órgãos com o Inmetro e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) autuou o Posto Ipiranga Lyon e interditou três bicos de bombas por irregularidades. Uma delas entregava menos combustível que o marcado na bomba.


órgãos de defesa do consumidor

Agradeço as mensagens de apoio e também as centenas de relatos de pessoas que passaram por um problema semelhante ao meu no posto Ipiranga Lyon (Sertório, 3837, Porto Alegre) ou em qualquer outro posto da capital ou de qualquer cidade brasileira.

Para ter resultado tem de haver uma denúncia. É um direito nosso, não deixemos de fazê-la.

Vai haver alguém te criticando nas redes sociais, mas não dê bola nem troque ofensas. Deixe a fiscalização agir. A notícia está nas TVs, rádios e sites de notícias tradicionais e nas mídias alternativas. Em três dias o vídeo chegou a um milhão e meio de visualizações. Atribuo esse interesse das pessoas a uma coisa só: elas também foram vítimas desse tipo de golpe ou conhecem alguém que foi.

O tiro de Moro saiu pela culatra

Lula carregado nos braços da multidão
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Por essa o juiz de Curitiba não esperava mesmo. Sérgio Moro teve tanta pressa em prender Lula que transformou sua decisão no maior ato político da esquerda, desde a eleição vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República.

Ao expedir o mandado de prisão do ex-presidente suprimindo os recursos que a defesa ainda tinha direito, o juiz sublinhou sua perseguição a Lula. Sequer esperou o trânsito em julgado do processo na segunda instância.

No despacho ele definiu que o recurso Embargos dos Embargos é uma “patologia protelatória que deveria ser eliminada do mundo jurídico”.

O que impressiona é Moro confirmar que o recurso existe, mas, como ele não concorda, o melhor é descartar. Assim como custuma fazer, independente da determinacao legal.

Aliás, parece que o juiz pouco se importa com regras. Quando divulgou uma conversa gravada da presidenta Dilma com Lula, infringiu normas de segurança nacional.

À época, a Advocacia Geral da União (AGU) declarou que o juiz desrespeitou a ordem legal: “Todos são iguais perante a lei e a lei vale para todos, mas a lei distingue situações para defender interesse público. O açodamento em divulgar informação em pouco tempo em um inquérito qualificou desrespeito à ordem legal”.

Essa angústia do magistrado em fazer as coisas conforme seu desejo já causou enorme constrangimento ao país. Uma nação que tem sua Constituição violada por quem deveria protegê-la não passa uma boa impressão ao mundo.

Será que foi o Lula que transformou sua prisão em ato político, como a mídia tradicional insistiu? Quem o condenou admitindo a ausência de provas? Quem mandou prendê-lo antes de acabarem os recursos da defesa?

A transformação da prisão do ex-presidente Lula em ato político foi só uma conseqüência, que Sérgio Moro esqueceu de prever.

Não seria difícil imaginar que militantes do PT, de outros partidos da esquerda e dirigentes de várias legendas estariam ao lado de Lula nesse momento de perseguição.

Sim, o maior líder político da esquerda na América Latina foi preso, mas ele saiu, novamente, nos braços do povo e isso ninguém apagará da história.

Fotos: divulgação Frente Brasil Popular

Dizem que “foi Marielle, mas poderia ser qualquer um”. Não concordo

Discordo de quem diz: foi a Marielle, vereadora do PSOL, mas poderia ser a liderança de qualquer partido, do DEM ou até do partido do Bolsonaro.

NÃO, CLARO QUE NÃO! Não poderia mesmo. Tudo que sabemos sobre políticos e/ou líderes comunitários executados, é que eles NÃO são da direita. Aliás, não conheço nenhum líder político da direita, que tenha forjado sua trajetória na defesa dos direitos das minorias.

A morte da Marielle Franco foi uma execução e não um crime pela falta de segurança pública no Rio de Janeiro. Não foi assalto, nem bala perdida. Não foi acidental, muito menos fatalidade, como já ouvi.

Ela foi assassinada por defender as pessoas que não são ouvidas. Pensando melhor, essas pessoas nem têm voz e a Marielle as ensinava a falar através da sua luta. Ela atrapalhou os planos de quem está habituado a oprimir.

Tem quem goste de dar plenos poderes à polícia e aprova, incontestavelmente, suas ações. Mesmo quando age com truculência e inúmeras vezes mata pessoas inocentes.
Quem nunca viu a polícia tratar cidadãos comuns como criminosos? E isso acontece por um motivo muito simples: essas pessoas estão em vilas e favelas, são pobres e negras. Basta isso para ser confundido com bandido.

A Marielle era essa pessoa que muita gente considera bandido, vândalo, traficante, ou só mais uma “negra metida”. Depois que conheceram sua história e viram a repercussão nacional e internacional ficaram admirados.

E quem acha exagerada a cobertura da sua morte, talvez tenha que rever seus conceitos de humanidade, solidariedade e, até, civilidade.

O crime

A vereadora Marielle Franco(PSOL), o motorista Anderson Gomes, que também morreu, e a assessora de imprensa, que não teve o mome divulgado, foram alvejados por volta das 21h30, na rua Joaquin Palhares, no bairro do Estácio, Centro do Rio.

De acordo com a polícia, um outro carro encostou do lado e foram feitos ao menos nove disparos na direção do banco do Chevrolet Agile branco. A vereadora foi atingida por quatro tiros na cabeça e pescoço. O motorista recebeu três disparos nas costas. A jornalista que estava no banco dos passageiros foi ferida pelos estilhaços.

Ela participava de um encontro com mulheres negras, no bairro da Lapa. O crime ocorreu poucos minutos depois deles deixarem o local.

Porto Alegre volta ao mapa das 50 cidades mais violentas do mundo


Foto arquivo- Sul 21

A capital gaúcha está na 39ª posição da lista mundial e na 12ª colocação entre as cidades brasileiras com o maior índice de mortes urbanas para 100 mil habitantes. Foram 1742 mortes para cada 100 mil habitantes, o que representa uma taxa de 40,96.

A estatística foi divulgada no último dia 5 de março, pela Organização Civil Conselho Cidadão para Segurança Pública, Justiça e Paz. Sediada no México a ONG faz o levantamento em cidades com mais de 300 mil habitantes e divulga as 50 mais violentas, desde 2007.

A capital gaúcha entrou nessa lista em 2014 na 37ª posição com 1442 mortes/ano. Em 2015 Porto Alegre foi para a 43ª posição, embora tenha aumentado o número de homicídios para 1479/ ano.

Em 2016 a cidade saiu do ranking, mas voltou neste ano na 39ª colocação.

Chama a atenção um
O Rio de Janeiro, sob intervenção federal na área de Segurança Pública, não figura nesse mapa das 50 cidades mais violentas do mundo. No mínimo uma dúzia de cidades está em situação mais grave sob o ponto de vista da violência urbana. Ocorre que nenhuma delas tem a visibilidade da capital carioca e, em ano eleitoral isso conta mais que qualquer estatística.-
O relatório faz aumentar as suspeitas de muitos especialistas que a ação no Rio é muito mais midiática e política do que técnica.

Chama a atenção dois

O Brasil é o país com o maior número de cidades nesse ranking. São 17 num total de 50 pesquisadas. Natal (RN) é a 4ª mais violenta na colocação geral e a 1ª entre as brasileiras seguida por Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Veja a lista completa em

Nos dados globais a primeira do ranking é a mexicana Los Cabos, com uma taxa de 111,33 homicídios por 100 mil habitantes. Caracas, capital da Venezuela, está na segunda posição com taxa de 111,19 mortos e Acapulco no México registrou uma taxa de 106,63, ficando em 3º lugar.

Entre os critérios adotados pela ONG Segurança Pública, Justiça e Paz
para organizar a pesquisa, está a taxa oficial dos homicídios por 100 mil habitantes. Também auxiliam na tabulação do estudo fontes jornalísticas e informes de outras ONGs e organismos internacionais.

Moro em Porto Alegre. Gosto da capital gaúcha, mas confesso que viver em uma cidade que integra essa estatística de violência me entristece. Acho que abala qualquer pessoa. Entretanto, há que perguntar: o que está sendo feito para mudar o cenário?

Reduzir investimentos e até terceirizar a educação, fechar escolas, entre outras medidas ditas econômicas, não resolve o problema. Para falar a verdade, acho que agrava a situação da violência.
Vamos continuar ouvindo que os governos estão quebrados? Mas há de ter alguma prioridade para quem está no poder!

Sobre o julgamento de Lula: “tenha paciência”!


Juiz Gebran Neto- relator TRF4- julgamento Lula- imagem Recordnews

Lamentavelmente não estou em Porto Alegre. Não imaginei que o TRF4 fosse tão célere em marcar a data do julgamento do ex-presidente Lula e marquei viagem para este período.

Ainda bem que não estou totalmente isolada e consigo acompanhar tudo em tempo real.

Acabo de assistir a uma matéria na Recordnews onde o repórter usa como fio condutor uma “amizade” de Lula com Sérgio Cabral, sugerindo que o ex-presidente está envolvido nos crimes de corrupção do ex-governador do Rio. Quase toda a reportagem é sobre o que Cabral fez e como se beneficiou da infinita propina.

Só que a única ligação entre eles foi a aliança política do PT com o PMDB e a atuação para trazer as Olimpíadas para o Brasil.

Comparando a matéria da Recordnews com os crimes imputados à Lula concluo que em ambas as situações há ausência de fatos verídicos ou provas comprobatórias.

Tirando a vontade do repórter de colocar o ex-presidente na vala comum dos corruptos de alto escalão, nada mais existe que justifique tal contextualização.

É a incrível capacidade do “jornalismo espetáculo” de encontrar semelhança entre melancias e cebolas, por exemplo.

A coisa mais sensata que ouvi hoje, durante o café, veio da cozinheira da pousada que estou hospedada
Ela referia-se ao julgamento que pode condenar Lula: TENHA PACIÊNCIA!”

Com sorte um desembargador pede vistas e devolve a imparcialidade política ao judiciário brasileiro.