MBL assume autoria do atentado contra a arte em Porto Alegre

Obra de Bia Leite.

Ando inconformada com o perfil conservador e intolerante que começa a surgir no Rio Grande do Sul. A mobilização nas redes sociais pedindo o boicote à exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, no Santander Cultural em Porto Alegre, foi o ápice da ignorância artística.

Os protestos que resultaram no cancelamento da mostra, um mês antes do previsto, têm motivos pra lá de ultrapassados, como desrespeito à Jesus Cristo, apologia à pedófila, zoofilia e ao homossexualismo, entre outras aberrações vociferadas no mundo virtual.

Para amenizar nossa vergonha o Movimento Brasil Livre (MBL) reivindicou a autoria, do que defino como um atentado terrorista à arte. Evidentemente não será fácil para os portoalegrenses livrarem-se dessa mancha de censores da cultura.

Envergonhada custo a acreditar que isso esteja acontecendo no nosso estado, tido como um dos mais politizados do país e com sólida formação cultural.

Nem o pioneirismo jurídico na defesa dos direitos dos homossexuais e respeito à diversidade foi suficiente para barrar esse retrocesso.

Os gaúchos vivem tempos difíceis e os acontecimentos estão aí para, espero, promover grande reflexão.

Tivemos o Ministério Público estadual sugerindo um tipo de toque de recolher na Cidade Baixa; o prefeito da capital conseguiu, na justiça, proibir protestos contra o seu governo; a Brigada Militar barrou o protesto do Grito dos Excluídos e vem agindo de forma questionável o em desocupações; escolas são cravejadas de balas por criminosos, em horário de aula; professores são espancados por alunos e pais e por aí segue uma vergonhosa lista.

Espero que o escudo contra esse conservadorismo seja o nosso currículo de comprometimento com a cultura.

A capital gaúcha realiza a maior feira literária a céu aberto da América Latina, o Porto Alegre em Cena é uma referência em teatro internacional e há 20 anos seríamos a Bienal de Artes Visuais do Mercosul, só para citar alguns eventos do circuito internacional.

Gaudêncio Fidelis, curador da exposição – entrevista para Ivan Mattos do Jornal do Comércio

Agroindústria familiar na Expointer foi coisa do Olívio Dutra

Agroindústria familiar na Expointer foi coisa do Olívio Dutra


foto: divulgação Palácio Piratini

Muitas pessoas não sabem, outras não lembram e algumas não darão o braço à torcer, mas quem abriu as porteiras da Expointer para a agricultura familiar foi Olívio Dutra, no segundo ano do seu mandato, em 1999.

Até então a pecuária era o foco da maior exposição agropecuária da América Latina, mas o governador petista destinou um pavilhão para aos pequenos produtores.

foto:Tina Griebeler -Expointer 2017

O MST tinha invadido uma fazenda em Hulha Negra e os pequenos agricultores estavam com crachá de expositor. Os fazendeiros ficaram incomodados
e ameaçaram boicotar a Expointer.

Antes que “estourasse a boiada” o bom senso financeiro prevaleceu e a feira foi um sucesso de público e renda.

Passados 18 anos ninguém concebe a Expointer sem a presença da agroindústria familiar. Aliás, as vendas desse segmento, que representa cerca de 27% do PIB gaúcho, aumentam ano após ano.


foto: Tina Griebeler

Em 1999 eram 30 expositores com seus produtos orgânicos e coloniais. Nesta 40ª edição da Expointer, segundo dados são organização, sao 201 empreendimentos de 131 municípios do Rio Grande do Sul.
No ano passado o segmento comercializou cerca de R$ 2 milhões.

A elite rural não tolerava o Olívio Dutra, mas foi o governador que tirou a Expointer do vermelho e encaminhou o primeiro saldo positivo, segundo dados da Contadoria Geral do Estado(CAGE),apresentados na edição daquele ano.

O setor de Máquinas agrícolas, atual carro-chefe da Expointer, também foi impulsionado pelo governo de Olívio Dutra, mas este é assunto para outro post.
Por enquanto fica a foto de Olívio com representantes do Sindicato de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do RS.


foto:Tina Griebeler

Cambará do Sul é terra de cânions, frio e até árvore lunar


Cambará do Sul na região dos Campos de Cima da Serra é tida como uma das cidades mais frias do Brasil e que seguidamente tem precipitação de neve. Mas o município de aproximadamente 7 mil habitantes tem outros encantos além do frio intenso, que são os maravilhosos cânios.

foto: Miriam Jahn

Mesmo no inverno os dias estão ensolarados neste ano, o que permite uma visibilidade maravilhosa do Itaimbezinho nos Aparados da Serra – com paredões de 720 metros de altura e 6 quilômetros de extensão – e o Fortaleza, na Serra Geral – com 7,5 quilômetros de extensão, 900 metros de altura e 1,5 quilômetros de largura.


Itaimbezinho


Cascata véu de noiva – Itaimbezinho

Itaimbezinho e Fortaleza têm trilhas com níveis de esforço leve, moderado e alto que podem ser autoguiadas, já as caminhadas pelo interior dos cânios necessitam de guia especializado. A visita ao Malacara e Churriado também deve ser acompanhada por guia.
Diversas agências na cidade oferecem esse serviço, além de cavalgadas e passeios de bicicleta ou em caminhonetes 4×4.

Casas de Cambará

Centro Cultural e Museu

Quando revisito algumas cidades sempre quero encontrar algo novo, mas que remeta ao passado e conte uma história. É assim que consigo compreender a formação de vilarejos e pequenas ou grandes cidades.

Neste meu retorno a Cambará, andando à noite pela cidade observei melhor as casas mais antigas. O patrimônio arquitetônico não está lá muito preservado, mas existe e conta uma historia importante.

Antigo colégio

Árvores de Cambará

Cambará é nome de uma árvore típica do lugar e quer dizer “folha de casca rugosa” na língua tupi-guarani. Na praça São José tem 2 exemplares da árvore símbolo do município.


Cambará

Na mesma praça tem uma sequoia, árvore que pode atingir 90 metros de altura, 6 metros de diâmetro e viver milhares de anos. Só isso é suficiente para atrair o interesse dos visitantes, mas a de Cambará é ainda mais especial, pois é uma “árvore da lua”.


Sequoia lunar
foto:Panramio

Em 1971 o astronauta Stuart Roosa levou na missão da Apolo XIV em 1971, sementes de diversas plantas para observar o comportamento. Ao retornar muitas germinaram e as mudas foram plantadas e vários países.

A versão oficial de como uma dessas mudas chegou até a Cambará do Sul é que o prefeito Pedro Teixeira Constantino (já falecido) tinha conhecidos influentes em Brasília. Plantada em 26 de novembro de 1982 a sequoia está com aproximadamente 30 metros de altura e 70 centímetros de diâmetro.
O Rio Grande do Sul tem uma segunda sequoia lunar na praça principal do município de Santa Rosa.


O turismo tem impulsionado Cambará e nos últimos anos aumentou a oferta de pousadas, hostel, bares e restaurantes com comida típica gaúcha.

Rodrigo Maia engavetou pedido de impeachment de Temer e OAB recorre ao STF

Presidente da OAB Cláudio Lamachia
foto:Valter Campanato/Agência Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil ingressou nesta quinta-feira(17) no Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança contra Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que ele decida sobre o pedido de impeachment do presidente Temer. Há quase três meses a OAB protocolou o documento na Câmara dos Deputados, mas o presidente não deu qualquer andamento no processo o que, na opinião de Claudio Lamachia é um ato “omissivo, abusivo e ilegal”.


foto: Brasil 247

A instituição solicitou a cassação do mandato de Michel Temer baseada no parecer produzido pela comissão especial convocada para analisar a conduta do presidente Michel Temer relatada em delação premiada do empresário Joesley Batista, conforme manifestação divulgada no site da OAB.

Claudio Lamachia lembrou que Rodrigo Maia tem responsabilidades com a sociedade. “Essa postura nos leva a crer que o presidente da Câmara serve como uma muralha de proteção do presidente da República. E não é isso que a sociedade quer ver”, declarou.

A OAB ingressou com pedido de impeachment de Temer no dia 25 de maio e até o presente momento Rodrigo Maia, a quem cabe a responsabilidade de aceitar ou recusar a solicitação, não disse se aceita ou rejeita. “Não é crível, não é lógico e não é razoável que o presidente da Câmara demore 80 dias para um simples despacho de admissibilidade ou de indeferimento”, afirma Lamachia.

Já são 25 pedidos de impeachment de Temer protocolados na Câmara dos Deputados, sendo 22 por conta da delação da JBS. Rodrigo Maia não decidiu nada sobre nenhum deles.

INTEGRA DO MANDADO DE SEGURANÇA
http://s.oab.org.br/arquivos/2017/08/ms-ato-omisso-rodrigo-maia-camara-dos-deputados-nao-processamento-pedido-de-impeachment-ii-1.pdf

A Cidade do Fim do Mundo é bem pertinho

Vista do Canal de Begle à noite e com neve

Para quem gosta de frio este é um período maravilhoso para visitar as terras geladas da Patagônia argentina. Não precisa ser em Bariloche que só a fama já encarece a viagem, mas que tal Ushuaia, a cidade mais a austral do planeta, capital da Terra do Fogo?

Um lugar frio ser chamado de Terra do Fogo parece não fazer sentido algum, mas tudo sempre tem uma explicação. Segundo a Wikipedia o nome surgiu no século XVI, quando o navegador português Fernão de Magalhães – ” Fogos dispersos e colunas de fumaça das fogueiras dos nativos pareciam boiar sobre as águas, no nevoeiro do amanhecer.”

Farol do Fim do Mundo no Canal de Begle


Arbol Bandera- o vento do oceano pacífico que entorta a vegetação.

Ushuaia também tem o título de La ciudad del Fin del Mundo (A cidade do Fim do Mundo), embora os chilenos reivindiquem essa designação uma vez que Puerto Williams está mais ao Sul do continente.
Só que o vilarejo é uma base militar com cerca de 2.500 habitantes, enquanto Ushuaia tem aproximadamente 60.000 habitantes.

Tradicional lugar de fotos para quem visita a capital da Província da Terra do Fogo

Cerro Martial é uma estação de inverno pública.

Cerro Castor é a estação de esqui mais austral do mundo. Devido a baixa temperatura é possível esquiar em neve natural o ano todo.

Porto Alegre a Ushuaia são cerca de 4 mil e 400 quilômetros e no link a seguir tem informações sobre passagens aéreas e de ônibus, ambas com saída da capital gaúcha, e também sugestões de rotas para quem quer uma aventura de carro. Aliás, fazer essa viagem de carro deve ser emocionante.
https://www.rome2rio.com/pt/s/Porto-Alegre/Ushuaia

Silêncio das panelas, mudez das ruas e negociatas livram Temer da investigação

Brasília – Plenário da Câmara rejeita autorização para STF investigar denúncia contra o presidente Michel Temer (Wilson Dias/Agência Brasil)

Deputados livram Temer de investigação pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da justiça. (foto- Wilson Dias/Agência Brasil)

O mundo inteiro viu deputados fazendo pouco caso da rejeição do presidente Temer por mais de 80% da população. Alguns com comportamento colegial foram repreendidos pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Como se não bastasse, um parlamentar machista berra “gostosa” quando uma colega é chamada para registrar presença. Rodrigo Maia perdeu a oportunidade de alertar que o ato sexista não é atitude de homem, muito menos dentro do Congresso Nacional.

A vitória de Temer na Câmara Federal não me surpreendeu. O que me assustou foi com o silêncio sepulcral das panelas. A orquestra dos paneleiros parecia um símbolo de combate à corrupção, mas era apenas uma manifestação barulhenta contra o governo Dilma. Não estranhei os parlamentares que vociferaram contra a corrupção, na votação que aprovou o impedimento da ex-presidente, terem barrado a investigação de Michel Temer pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de justiça. Fiquei incomodada com a mudez das ruas.

Sumiram as chamadas “pessoas de bem”, que faziam “manifestações pacíficas” sem representação de partidos políticos e com o apoio irrestrito da imprensa. Para onde migrou toda aquela gente que clamava pelo fim da corrupção? Aquelas pessoas não dão a menor pelota se Temer está denunciado, se tinha uma mala com R$ 500 mil, se muitos dos seus ministros são réus ou se o governo comprou votos dos deputados antecipando dinheiro de emendas parlamentares.

Segundo levantamento do Jornal Valor Econômico, Temer gastou mais de R$ 13 bilhões para barrar a denúncia do Ministério Público Federal e aceita pelo Supremo Tribunal Federal. Foram R$ 4,15 bilhões com emendas parlamentares e R$ 13,2 bilhões para refinanciar a dívida de produtores rurais e aumentar os royalties da mineração.

Agora temos que preparar o bolso para pagar essa conta elevadíssima. Além da reforma da Previdência, que só os empresários acham necessária, deve vir arroxo salarial e mais cortes em programas sociais. Sem contar, é claro, com mais aumento de imposto.

Atores de Roda Viva foram espancados em 1967. Maikon K é preso durante espetáculo 50 anos depois


foto: divulgação Palco Giratório Sesc

É impossível digerir a maneira violenta como alguns policiais militares do Distrito Federal imprimiram ao artista paranaense Maikon Kempinsk durante a apresentação do espetáculo “DNA de DAN”. Na performance que integra o catálogo nacional de espetáculos do Palco Giratório do Sesc, Maikon K, como é conhecido, tem seu corpo coberto por uma substância que leva cerca de duas horas para secar. Ele está dentro de uma bolha de plástico transparente e o público acompanha a transformação do corpo nu. A pele rompe-se conforme os movimentos da dança. A concepção do artista relaciona DAN, uma serpente ancestral africana que deu origem a todas as formas de vida, com o corpo humano.

Pois foi durante essa intervenção urbana de dança-instalação, no último sábado (16), por volta das 17 horas, ao lado do Museu Nacional da República, em Brasília, que a polícia militar invadiu o palco, encerrou a apresentação, destruiu o cenário, prendeu Maikon K e o levou para a 5ª Delegacia de Polícia, sob alegação de ato obsceno. Isso mesmo: ATO OBSCENO, cuja pena varia de três meses a um ano de detenção.


foto: internet

A igreja católica perseguiu muito o nu artístico na escultura e na pintura. Um exemplo do combate ao que o Vaticano denominava apelo carnal foi o afresco do Juízo Final, no teto da Capela Sistina, no Vaticano, obra prima de Michelangelo (1537 e 1542). A pintura sofreu intervenção para esconder as genitálias das personagens, mas na restauração, em 1980, todas as vestimentas incluídas foram retiradas da obra original.

A referência à Capela Sistina é para lembrar que esse tipo de perseguição à arte já era criticada na primeira metade do século XVI. Particularmente, adoraria saber a opinião do Papa Francisco sobre essa atitude repressora da polícia em pleno século 21.

The Sistine Chapel. Vatican, Rome, Italy

A ação da PM na capital da República remete, inevitavelmente, ao triste período de censura da ditadura militar. No livro Amordaçados: uma história da censura e de seus personagens, a jornalista Julia Carvalho aborda a censura desde o Brasil Colônia até a redemocratização do país.

Pois há exatos 50 anos, em 18 de julho de 1967, artistas foram espancados por integrantes do Centro de Caça aos Comunistas (CCC). O grupo paramilitar invadiu o teatro Galpão de Ruth Escobar, em São Paulo, e agrediu o elenco da primeira apresentação de Roda Viva de Chico Buarque.
O ataque está registrado no livro Maria Ruth – Uma Autobiografia que conta a trajetória de Ruth Escobar. A atriz e diretora produziu
espetáculos revolucionários e marcantes do teatro brasileiro.

Maikon K publicou sua manifestação nas redes sociais
www.facebook.com/maikon.kempinski



imagem: youtube

Versão da Polícia Militar
Através de nota a Polícia Militar disse que foi chamada para resolver o problema de um homem nu no Museu da República.”Como não foi apresentada nenhuma documentação/autorização do museu tampouco da administração de Brasília, foi determinada a paralisação da referida exposição e foi dada voz de prisão ao elemento nu.”

O governador Rodrigo Rollemberg e o secretário de Cultura Guilherme Reis telefonaram para pedir desculpas ao artista e publicaram nota na página oficial. www.df.gov.br

Trecho da nota oficial do Sesc-DF
“A proibição da performance em Brasília, os prejuízos materiais à obra e a detenção do artista constituem uma arbitrariedade que coloca em risco não apenas a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Brasileira e por documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, mas interfere nos direitos culturais do público. Não vivemos mais em uma época em que um policial militar pode definir isoladamente a realização ou não de um evento”.

Eliseu Padilha achou normal troca de deputados na CCJ para barrar denúncia contra Temer

Brasília – Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ministro Padilha saiu da toca e isso é sinal de que o governo saiu do paredão. Desde o escândalo dos irmãos Batista que Eliseu não aparecia muito na imprensa, mas nesta sexta-feira, 14, voltou ao cenário para explicar a troca de deputados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Absolutamente normal, do jogo político do Congresso Nacional”, disse o ministro em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

As 25 substituições garantiram a rejeição do relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ). Na CCJ foram 41 votos a favor de Michel Temer e 24 contra, o que representa quase dois por um. Agora o Plenário da Câmara dos Deputados votará outro relatório, o do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB -MG) que recomendará a suspensão desse processo contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo já usou esse tipo de expediente na escolha dos ministros. Na Saúde foi anunciado que seria um notável, mas na última hora o PP indicou o deputado Ricardo Barros (PP). Padilha relatou em palestra na Caixa, em São Paulo, em fevereiro deste ano: “Vocês garantem todos os votos do partido nas votações?”. “Garantimos”. “Então o Ricardo será o notável.” Confira gravação divulgada pelo Estadão.

Padilha admite troca de votos por ministério; ouça o áudio ESTADÃO

Pelas palavras do ministro é possível notar que o governo não medirá esforços para conseguir 172 votos, entre os 513 deputados, para aprovar esse novo relatório, impedindo assim que o STF prossiga com a investigação. A sessão ficou marcada para depois do recesso, dia 2 de agosto.

A contagiante inquietação do repórter Carlos Wagner


Carlos Wagner foi homenageado no 12º Congresso da Abraji (Foto: Alice Vergueiro/Abraji)

Se ainda não viste o filme sobre a trajetória do repórter Carlos Wagner de Zero Hora, faça isso agora mesmo. É para rir e se emocionar. Sabe quando escolhemos jornalismo pensando em mudar o mundo? Pois é, o Wagner, como nunca vi alguém fazer, passa essa certeza: o jornalismo pode sim, mudar o mundo. Como? Aí cada um tem que descobrir, se realmente quiser, quais histórias verdadeiras pode contar, independente de estar em veículo tradicional ou em mídias independentes.

Este filme sobre a trajetória do repórter foi realizado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), para homenagear Carlos Wagner no 12º Congresso Internacional da entidade, em São Paulo. Sua inesgotável disposição é uma injeção de ânimo em qualquer jornalista que ainda acalente aquele desejo de viver de contar boas histórias.

No meu tempo de rádio Gaúcha tive oportunidade de conviver com o Carlos Wagner, pena que foi pouco, mas nos plantões de final de semana vi que ele valorizava uma simples “ronda policial”. Pensava eu: como esse baita jornalista dá importância para uma informação que rende, no máximo, uma notinha? Que história tem aí que eu não peguei? Talvez fosse só uma inquietação, mas aprendi e ele nem sabe disso, pois nunca contei, que uma coisa é dizer que uma grande matéria pode estar numa “ronda” e outra é entender como isso funciona.

Obrigada, Carlos Wagner

Saiba mais sobre a vida do “Repórter na estrada”, como ele mesmo se define, em:

As indicações de Temer e a maré de sorte de Aécio


foto:Brasil 247

As escolhas de Michel Temer

O presidente escolheu para Procuradora-Geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge. Qual a surpresa? É que ela foi a segunda candidata mais votada na lista tríplice e havia uma tradição, que começou com Lula, de indicar o escolhido pelos integrantes da Ministério Público Federal. O vitorioso foi o vice-procurador Eleitoral Nicolao Dino, mas ele pediu a cassação de Temer no TSE e é aliado do atual Procurador-Geral Rodrigo Janot, que denunciou o presidente por corrupção passiva e estabeleceu multa de R$10 milhões por danos coletivos. Alguém achou que seria o mais votado o escolhido?


foto: Band TV


Rodrigo Janot e Raquel Dodge
foto: Antônio Cruz, Agência Brasil

Parece que na cabeça do Temer a futura chefe do MPF Raquel Dodge tem poder para frear essas delações, pelo menos no que se refere a ele, até a eleição de 2018. Essa foi a impressão da população e dos parlamentares denunciados ou sob suspeita na Operação Lava Jato. Se segura o Temer, pode segurar uns quantos? E de esperar para ver!


Admar Gonzaga(em pé) e Tarcício Neto
foto: Brasil 247

Os ministros Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, indicados por Temer para o Superior Tribunal Eleitoral, votaram contra a cassação do mandato do presidente.
Para que a maioria dos mortais não fique muito chocada com o que vem por aí, é bom lembrar que a sorte está com os que ocupam as primeiras fileiras da velha política.

A maré de sorte de Aécio


foto: jornalggm.com.br

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) quase foi para a cadeia, como a irmã Andrea Neves e o primo Frederico de Medeiros, mas virou o jogo nos acréscimos. Tirou o pé do xilindró e ainda conseguiu libertar os parentes. Foi afastado do cargo pelo STF, mas já retomou. A decisão saiu nesta sexta,30. E como a maré é de sorte para o tucano, o relator do inquérito 4392 será Alexandre de Moraes, que foi filiado ao PSDB até ingressar na Suprema Corte por indicação de Michel Temer. Cabe lembrar que Moraes era tucano de alta plumagem, pois foi ministro da Justiça de Temer e secretário da Justiça do governador Geraldo Alckmin (SP). Nessa ação Aécio Neves é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, cartel e fraude a licitações, segundo os delatores da Odebrecht.


Foto: DCM

Mas a sorte de Aécio ainda não acabou. O inquérito 4444, em que é investigado por suposto recebimento ilegal de dinheiro da Odebrecht para sua campanha, o relator sorteado foi o Ministro do STF Gilmar Mendes. O magistrado está famoso pelas declarações inflamadas contra a Lava Jato e o Procurador-Geral Rodrigo Janot, que pediu a prisão de Aécio Neves.