O dia é para reflexão e mobilização e não só para receber flores.

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Escolhi este dia 8 de março para compartilhar o primeiro texto neste espaço onde, prioritariamente, vou abordar assuntos da política. No Dia Internacional da Mulher diversos organismos nacionais e internacionais de pesquisa divulgam dados assustadores de violência contra a mulher. Encarceramento doméstico, abuso sexual e espancamento, entre outras barbáries,colocaram o Brasil na 5ª posição, entre os países mais violentos, segundo dados divulgados pela ONU Mulheres do Brasil O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea) revela que 14 mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Apenas por ser mulher, a cada uma hora e meia uma de nós é morta.

A posição que as mulheres ocupam no mercado de trabalho são desanimadores conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na média mundial ganhamos cerca de 77% dos salários dos homens, e nos cargos mais altos a discriminação é ainda maior, pois recebemos a metade do que é pago aos homens. A OIT prevê que nesse ritmo, a igualdade salarial demoraria mais de 70 anos.
Pensemos: até lá o homem já terá habitado Marte há uns 60 anos!

A participação global feminina na política ainda tem muito que avançar. De acordo com a ONU Mulheres, ficou em 22% o índice de participação nos parlamentos, no mapa de 2015. Nesse ranking o Brasil ocupa a vergonhosa 153ª posição, em 193 países pesquisados.
Nações com histórico de violação dos direitos das mulheres, como Afeganistão, Nepal, Paquistão, Somália, Síria e Arábia Saudita, entre dezenas de outros, estão muito frente.

De acordo com levantamento do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), apenas 641 prefeitas foram eleitas em 2016, o que representa 11,57% do total dos 5568 municípios brasileiros. A baixíssima representação vai na contramão, já que somos a maioria dos eleitores, 50,5%.

Faz 85 anos da conquista do voto feminino, em 24 de fevereiro de 1932, no governo de Getúlio Vargas, embora a luta tenha começado na década de 1880, quando as mulheres entraram na defesa da causa abolicionista. O movimento feminista foi fortalecido em 1922 com a criação da Federação pelo Progresso Feminino, dirigida por Bertha Luz.

As sólidas instituições brasileiras, na sua esmagadora maioria, reservam os cargos mais altos aos homens..O Senado Federal jamais teve uma mulher na presidência e apenas 13% da composição é feminina, são 12 mulheres e 69 homens. Na Câmara Federal os números são piores, 9,9%, sendo 51 deputadas do total das 513 cadeiras, e nunca uma mulher conseguiu chegar à presidência.
Já a maior conquista na política feminina brasileira foi a eleição de Dilma Rousseff presidente da República em duas disputas.

Na mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF) duas mulheres foram presidentes, Ellen Gracie em 2006 e Carmen Lucia, eleita em 2016. A atual mandatária do STF foi a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2012.
No ano passado o Superior Tribunal de Justiça (STJ) elegeu pela primeira vez uma ministra para o cargo de presidente, Laurita Hilário Vaz.
O Tribunal de Contas da União (TCU) foi o primeiro a ter uma mulher na presidência, a ministra Élvia Castelo Branco, em 1994, pioneirismo que não abriu espaço para a participação feminina, pois só em 2011 a deputada Ana Arraes chegou ao TCU, sendo a segunda ministra. Já o Ministério Público Federal (MPF) nunca teve uma Procuradora-Geral da República.

O Rio Grande do Sul já elegeu uma governadora, Yeda Crusius em 2007, mas a capital gaúcha nunca teve uma mulher na prefeitura. A Assembleia Legislativa foi presidida, pela primeira vez pela deputada Silvana Covatti em 2016, já a Câmara de Vereadores teve três mulheres no cargo mais alto, 2004, 2007 e 2011 com Margarete Moraes, Maria Celeste e Sofia Cavedon, respectivamente.

O Ministèrio Público Estadual(MPE) elegeu Simone Mariano da Rocha para o cargo de Procuradora-Geral de Justiça em 2009 e o Tribunal Regional Eleitoral(TRE-RS) foi presidido pela desembargadora Elaine Marques Batista em 2012.
Na contramão das conquistas femininas estão o Tribunal de Justiça (TJ) que nunca teve uma mulher na presidência e o Tribunal de Contas do Estado, atualmente só com homens na composição dos titulares do Pleno. Até hoje o TCE também não elegeu uma mulher para o mais alto posto. E em grande parte entidades de classe os espaços mais importantes também não são ocupados por homens.

Apenas com dados técnicos fica evidente que sociedade está muito distante de promover a igualdade de gênero. O dia  8 de março, decididamente, não é um dia para ganhar flores, é para questionar, reclamar, denunciar… É dia pôr fim à discriminação e todo o tipo de  violência.


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