A corrupção que devora o Rio de Janeiro

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Fiz questão de pesquisar o currículo dos ilustres conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que, de acordo com as investigações, recebiam propina de diversas empresas que prestavam serviço ao governo.

Como pode, que quase a totalidade do órgão fiscalizador estivesse metida em maracutaia? Não foi um conselheiro, o que já é um absurdo, mas foram seis, dos sete integrantes da corte. Pareciam homens honrados, têm formação qualificada, recebem altos salários, são homenageados aqui e ali. Dizem que conseguiram até liminar para derrubar CPI

Estão presos desde a semana passada, mas só isso não basta para diminuir a revolta dos funcionários públicos daquele estado, que não receberam o 13º nem os salários de fevereiro e março. Esse dinheiro desviado, segundo apontam as investigações, está fazendo falta para os servidores comprarem comida. É isso.


imagem extraída do site www.tce.rj.gov.br

Breve currículo dos ilustres conselheiros

Aloysio Neves
Ex-deputado, foi indicado para o órgão pelo ex-governador Sérgio Cabral, em 2010, tinha sido preso e condenado, em primeira instância, por tráfico de drogas, em 1983. Depois foi absolvido no Tribunal de Justiça do RJ. No gabinete do conselheiro trabalha uma cunhada de Sérgio Cabral.

Domingos Inácio Brazão
Indicado para conselheiro do TCE pelo deputado Picciani, atual presidente da Alerj. Pairam sobre Brazão suspeitas de patrimônio mal havido, desde que ingressou na política em 1996. O conselheiro também tem seu nome citado em adulteração de combustíveis e envolvimento com milícias.

José Gomes Graciosa,
O ex-deputado foi indiciado na Operação Pasárgada, em 2009, por formação de quadrilha, advocacia administrativa, corrupção passiva e prevaricação. O inquérito apurou o suposto pagamento de propinas a funcionários públicos.

Marco Antônio Alencar
Filho de Marcelo Alencar, ex-governador e ex-prefeito do Rio, morto em 2014. Ele foi indicado para conselheiro pela Assembleia Legislativa no período que o pai era governador. Marcelo teria indicado para trabalhar no TCE Jorge Luiz Mendes Pereira da Silva, conhecido como Doda, e apontado pela Polícia Federal como o operador da propina no esquema de Sérgio Cabral.

José Maurício Nolasco
Ingressou no Tribunal de Contas em 1998 por indicação do então governador Marcelo Alencar. O conselheiro foi presidente do órgão de 2007 a 2010, e seria o responsável por distribuir a propina entre os colegas.

Jonas Lopes de Carvalho Júnior
Ocupou cargos nas administrações de Antony Garotinho governo estadual e municipal e, por indicação do ex-governador, chegou a Conselheiro do TCE em 2000. A ligação do conselheiro com a família de Garotinho é desde Campos dos Goytacases. Foram sócios em empresa de beleza, no programa que Garotinho teve na rádio Tupy, e nas campanhas eleitorais.
Jonas Lopes também receberia propina 1% nas obras do Maracanã e da Linha 2 do Metro.
Ele delatou colegas da corte e empresários. Teve autorização do STJ para ficar fora do país por 40 dias.


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