A estranha mania de limpeza de João Dória

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foto: DCM- divulgação Facebook
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Acredito que o prefeito de São Paulo tenha mania de limpeza. As atitudes que ele tomou desde que assumiu o cargo e o perfil engomadinho, de pele brilhante, como se tivesse sido lustrada, conferem a João Dória, pelo menos a suspeita de algum transtorno nessa linha.

Talvez ele não saiba a diferença entre sujeira e grafite (uma importante manifestação cultural urbana que comunica a realidade da rua). Na concepção do milionário prefeito a arte popular enfeia a cidade, então ele trata de passar uma tinta cinza por cima, para não ter que ver aquela “sujeira da toda”.

Os grafiteiros protestaram contra o vandalismo ao patrimônio público cultural. Eles viram suas obras serem destruídas e o semblante de satisfação do prefeito. Mesmo assim não o denunciaram por baderna e destruição dos bens culturais públicos.

Foto: Daniel Arroyo/GGN

Talvez Dória não consiga mesmo conviver com o que está fora do seu padrão de arte, habitação, roupas, vida. Ele usou a mesma técnica para retirar dependentes químicos da “Cracolândia. Não avisou ninguém é mandou passar a máquina para desmanchar casas, barracos e despachou os dependentes químicos sem dó ou piedade.

Retiradas à força de seus casebres pela polícia, as pessoas saíram sem rumo, cambaleando pelas ruas como zumbis. Imagens estarrecedoras que correram o mundo e chocaram entidades internacionais de Direitos Humanos.

A Associação dos Juízes para Democracia emitiu nota de repúdio onde considera as ações na Cracolândia:
“manifestamente voltadas à criminalização da pobreza, invisibilização de oprimidos e descarte de indesejáveis”.

O Conselho Federal de Psicologia definiu a ação da prefeitura como “barbárie” e “atrocidade”.

A secretária municipal de Direitos Humanos considerou a ação “desastrosa” e pediu demissão. Na carta entregue à João Dória Patrícia Bezerra disse:
“Diante das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda de direitos humanos e ao atendimento humanizado à população mais vulnerável de São Paulo, deixo o cargo, mas nunca a convicção em uma cidade que garanta o respeito à pessoa humana”.

O chefe do executivo da maior cidade da América Latina, e uma das maiores do planeta, mandou a máquina derrubar casas velhas e o que tivesse pela frente. Até aí a ação era arbitrária e desumana, mas virou crime de tentativa de homicídio quando derrubaram um imóvel onde funcionava uma pensão com as pessoas dentro.

A milionário que chegou à prefeito de São Paulo ainda não foi denunciado por tentativa de homicídio. Tudo o que se sabe, extraoficialmente, é que João Dória tem em mente um grande empreendimento urbano para o local e que os imóveis serão desapropriados a preço de bananas.


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