Famílias humilhadas e um deputado preso na reintegração de posse da ocupação Lanceiros Negros

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Deputado Jeferson Fernandes tenta negociação com a BM- Foto Guilherme Santos Sul 21

A ação da Brigada Militar, durante a reintegração de posse de um prédio do Estado, na noite desta quarta-feira (14), foi, no mínimo, um excesso desnecessário. Às 19h30min os policiais começaram a retirar as 70 famílias da ocupação Lanceiros Negros na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, no Centro de Porto Alegre. O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa foi até o local e argumentou que havia crianças no imóvel, que era noite fria e que as pessoas não tinham para onde ir.

Jeferson Fernandes (PT) tentou mediar o conflito, apelou para o bom senso, pediu que chamassem o comandante da tropa, mas foi tudo em vão. Os vídeos e as fotos revelam a falta de diálogo por parte da autoridade policial e o uso exagerado da força. Alguns tentaram resistir, mas não suportaram os gases de pimenta e lacrimogênio, cassetete e, principalmente, a intolerância.


Prisão de Jefferson-Fernandes -foto-Guilherme-Santos-Sul-21

O deputado foi preso, algemado e jogado no camburão com outras pessoas detidas, mas não consta que tenha cometido crime inafiançável. Talvez tenham interpretado como desacato à autoridade ou obstrução da justiça. Deram umas voltas pela capital e depois o largaram em frente ao Theatro São Pedro. Até parece aquelas cenas de filme policial quando jogam a pessoa no meio da rua com o carro ainda em movimento.

Fernandes na Delegacia, acompanhado dos deputados petistas Adão Vilaverde (E) e Adão Preto (Presidente da Assembleia RS)

Se faltou experiência ou bom senso aos oficiais de justiça, que o comandante da ação os alertasse para os protocolos mínimos de civilidade nas desocupações. Ao contrário, se foi a autoridade policial que perdeu o rumo, que a justiça, representada no local pelos oficiais, chamasse a atenção sobre os mesmos protocolos.

Não pensaram. Cegamente cumpriram a lei e jogaram cerca de 200 pessoas na rua. Pais sem saber para onde levar seus filhos numa típica noite de inverno gaúcho. Não havia um lugar adequado para encaminhar as pessoas. Fico me perguntando qual é a necessidade de retirar as famílias à noite, sem ter uma solução para o caso?

O imóvel não tem as mínimas condições de abrigar repartições públicas há no mínimo uma década, a menos que passe por uma grande reforma, o que deverá custar milhões. Para um Estado endividado que atrasa salários,repasses para hospitais e não reforma escolas, entre outras obrigações?

Os cidadãos da ocupação Lanceiros Negros perderam o teto, foram maltratados e humilhados pelos representantes do Estado. Definitivamente não é isso que esperamos do poder público.


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