MBL assume autoria do atentado contra a arte em Porto Alegre

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Obra de Bia Leite.

Ando inconformada com o perfil conservador e intolerante que começa a surgir no Rio Grande do Sul. A mobilização nas redes sociais pedindo o boicote à exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, no Santander Cultural em Porto Alegre, foi o ápice da ignorância artística.

Os protestos que resultaram no cancelamento da mostra, um mês antes do previsto, têm motivos pra lá de ultrapassados, como desrespeito à Jesus Cristo, apologia à pedófila, zoofilia e ao homossexualismo, entre outras aberrações vociferadas no mundo virtual.

Para amenizar nossa vergonha o Movimento Brasil Livre (MBL) reivindicou a autoria, do que defino como um atentado terrorista à arte. Evidentemente não será fácil para os portoalegrenses livrarem-se dessa mancha de censores da cultura.

Envergonhada custo a acreditar que isso esteja acontecendo no nosso estado, tido como um dos mais politizados do país e com sólida formação cultural.

Nem o pioneirismo jurídico na defesa dos direitos dos homossexuais e respeito à diversidade foi suficiente para barrar esse retrocesso.

Os gaúchos vivem tempos difíceis e os acontecimentos estão aí para, espero, promover grande reflexão.

Tivemos o Ministério Público estadual sugerindo um tipo de toque de recolher na Cidade Baixa; o prefeito da capital conseguiu, na justiça, proibir protestos contra o seu governo; a Brigada Militar barrou o protesto do Grito dos Excluídos e vem agindo de forma questionável o em desocupações; escolas são cravejadas de balas por criminosos, em horário de aula; professores são espancados por alunos e pais e por aí segue uma vergonhosa lista.

Espero que o escudo contra esse conservadorismo seja o nosso currículo de comprometimento com a cultura.

A capital gaúcha realiza a maior feira literária a céu aberto da América Latina, o Porto Alegre em Cena é uma referência em teatro internacional e há 20 anos seríamos a Bienal de Artes Visuais do Mercosul, só para citar alguns eventos do circuito internacional.

Gaudêncio Fidelis, curador da exposição – entrevista para Ivan Mattos do Jornal do Comércio


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