Por isso eu apoio a greve geral e tu?

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

As coisas chegaram ao limite. As autoridades precisam entender que a população não aguenta mais. Não tem como suportar a retirada de tantos direitos de braços cruzados. Só quem está perdendo conhece essa dor.

Não aguentamos escolas e postos de saúde caindo aos pedaços e ainda ter os investimentos em educação e saúde reduzidos. As autoridades que impuseram ou aceitaram esses cortes deveriam morrer de vergonha. Deveriam pedir demissão por incompetência.

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

A população não suporta pagar taxas de lixo e iluminação pública e andar em praças e ruas imundas e às escuras. Pagar IPVA e trafegar em vias esburacadas e mal sinalizadas.

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

Ninguém aguenta saber que os professores dos nossos filhos não têm dinheiro para pagar aluguel, luz e telefone, entre outras despesas. Que vivem da caridade dos amigos e familiares. Eu não consigo reclamar da greve dos professores. Nós deveríamos ir para rua com eles e dizer que isso é humilhante.


Professores protestam na Praça da Matriz em Porto Alegre – foto Sul21

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

As pessoas estão amedrontadas com a violência que tem abreviado tantas vidas. Queremos mais policiais nas áreas públicas. Queremos andar sem medo pelas cidades.


foto Maia Rubim/Sul21

Por isso, e por muito mais, eu apoio a greve geral do dia 5 de dezembro. E tu?

Qual o motivo de tantas proibições?

Qual o motivo de tantas proibições?

foto: STF

Uma onda de “proibições” ronda o nosso país.
Comentamos com indignação, mas não exercemos nossa força de opinião pública. Será que temos essa força?

As últimas proibições, impostas pelas autoridades, não são boas para os cidadãos, mas uma catatonia paira sobre nós. A opinião pública não reage para derrubar tais decisões porque ela não está na população.

A opinião pública que já derrubou dois governos, depois da redemocratização, não é a nossa voz. A opinião pública é a mídia. Nós apenas atendemos o apelo achando que são assuntos do nosso interesse.

As últimas “proibições” são boas para quem?


Uma comissão especial na Câmara dos Deputados proibiu qualquer tipo de aborto. Até em casos de estupro.

Isso é bom para as mulheres? Isso é uma atitude que beneficia a população? Evidente que não, mas está feito! Tomara que não passe no Plenário.

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministra Carmen Lúcia, proibiu nota zero nas redações do Enem que desrespeitem os direitos humanos.
Que tipo de candidato faz uma redação que agride minorias estimula a segregação de pessoas com base em etnia, sexualidade, gênero, etc.?


foto:Agência Brasil

Essa “proibição” garante uma liberdade de expressão a qualquer preço. Um direito que só estimula ódio e separação.

Outro caso de “proibição” recente também veio do judiciário. Inês Del Cid, juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública de São Bernardo do Campo, proibiu um show gratuito do Caetano Veloso.

A apresentação ocorreria em ocupação de área privada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.
A probabilidade de uma apresentação do Caetano acabar em tumulto deve ser próxima de zero. A menos que a polícia fosse ordenada a atacar as 6500 famílias que estão no local.

Tivemos outras ”proibições” neste semestre, como foi o caso da exposição Queer Museu, fechada em Porto Alegre após protestos do Movimento Brasil Livre (MBL). A mostra seria instalada no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), mas foi proibida pelo prefeito Crivela;

foto:reprodução Facebook

Em Jundiái o juiz Luiz Antonio de Campos Júnior, da 1º Vara Cível, proibiu a apresentação da peça teatral O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu no SESC Jundiaí. O monólogo era interpretado pela atriz transexual Renata Carvalho;

Em Brasília a Polícia Militar prendeu o ator Maikon K. durante apresentação na rua. Alegaram prática “ato obsceno”;

foto: divulgação DNA

No Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), a performance do artista Wagner Schwartz, gerou grande polêmica pela cena de nudez. Os protestos foram protagonizados por integrantes do MBL.

Onde está a opinião pública que não toma as ruas e praças contra essas “proibições” tão atrasadas? São casos estarrecedores, mas a mídia não tem esses temas como prioridade.

Alguém tem dúvida que a opinião pública só existe estimulada pelos formadores de opinião?