Mais de 30 anos para conhecer a Goiás de Cora Coralina

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Mais de 30 anos para conhecer a Goiás de Cora Coralina


Casa de Cora como os moradores chamam, atualmente é um museu que abriga obra, objetos e a história da poetisa e contista goiana.

Em 1986 li Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, de Cora Coralina (1889 -1985). Era a 12ª edição do primeiro livro da poetisa e contista goiana, originalmente publicado em 1965 pela José Olympio Editora. Tive uma vontade imensa de ver aquelas casas, andar pelas ruas e becos e conhecer as igrejas da terra que ela descrevia com tanta emoção. Talvez os poemas de Cora Coralina tenham despertado este gosto que tenho por visitar lugares do período da colonização do Brasil.

Rua da Casa de Cora e ao fundo a Igreja do Rosário

Agora percebo que esperei mais de 30 anos para visitar Goiás ( também conhecida como Cidade de Goiás e Goiás Velho ). Estive lá em 28 de dezembro de 2017, andei pelas ruas e becos, entrei nas casas e igrejas… Conheci a tal Casa da Ponte, onde nasceu e morreu Cora Coralina. Queria saber sobre a vida da doceira e escritora, pisar no mesmo chão por onde ela andava, ver os livros, as panelas, a cama, os chinelos. Olhar de pertinho o Rio Vermelho que ela relata, em poema de mesmo nome, com tanta saudade:


Rio Vermelho e à esquerda, na esquina, a Casa de Cora Coralina.

“…Rio Vermelho – meu Rio.
Rio que atravessei um dia
( Altas horas. Mortas horas.)
há cem anos…
Em busca do meu destino.

Da janela da casa velha
todo dia, de manhã,
tomo a benção do rio:
– Rio Vermelho, meu avozinho,
dá sua bença pra mim…”


Rua Principal com o Rio Vermelho e a ponte à esquerda e a Cruz de Anhanguera à direta

Estava uma tarde escaldante,mas a casa era bem fresca e no porão tem uma fonte de água pura, que corre das montanhas por um estreito canal de madeira e pedra. Cora Coralina estudou até a 4ª série, o que era um avanço para as mulheres do final do século XVIII, começou a escrever ainda adolescente, mas seu primeiro livro foi publicado em 1965, aos 75 anos.


Ponte do Hospital

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas era o nome de batismo da escritora, que casou-se em 1911 com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas. Tiveram seis filhos e viveram no interior de São Paulo. Com o falecimento do marido Cora mudou-se para a capital, mas depois de 45 anos voltou para a Casa da Ponte, onde ficou até sua morte, aos 96 anos.

A cidade

Rua de Goiás ao cair da tarde

O conjunto arquitetônico de Goiás foi inspirado em cidades da Europa, com as montanhas envolvendo uma cidade de ruas estreitas e sinuosas, mas com a utilização de recursos locais. Esse cenário garantiu ao Centro Histórico da cidade o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ( Unesco ).

Prédio do Fórum


Pátio do Mercado Público

Com a transferência da capital para Goiania, a cidade ficou fora do desenvolvimento urbano, o que garantiu a preservação que remete à antiga Vila Bôa de Goyaz, segundo a organização sem fins lucrativos, Creative Commons ( https://br.creativecommons.org/)

Praça Brasil Caiado
No Centro Histórico de Goiás abriga um belo conjunto arquitetônico do Brasil Colonial, com destaque para o Museu das Bandeiras e Chafariz de Cauda.


Museu das Bandeiras – antiga Casa de Câmara e Cadeia, de 1776, um dos mais imponentes da cidade. Foi transformada em museu a partir de 1950.


Chafariz de Cauda (Chafariz da Boa Morte) de 1778, com bicas internas onde os moradores pegam a água e nas laterais externas ficavam os bebedouros para animais.

A cidade de Goiás está a cerca de 300 km de Brasília e 140 de Goiânia. Tem hospedarias e pousadas, restaurantes e bares com preços moderados.


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