Erro primário de repórter é transformado em cerceamento à imprensa


Imagem do vídeo que circula na internet

Jornalistas que vivem de emitir opinião e repórteres têm sido vítimas das armadilhas mais comuns da profissão: pressa e vaidade Elas vêm causado constrangimentos e até colocado em risco a vida de alguns profissionais.

O episódio envolvendo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e o repórter da RIC Record do Paraná, no acampamento pró-Lula, em Curitiba, é o último exemplo dessa armadilha.

Ao perceber que Marc Sousa faria a passagem, que é quando o repórter aparece na reportagem, em frente à concentração dos movimentos sociais, Milton Simas foi até o local e o alertou sobre o momento altamente inadequado. Horas antes houve um atentado a tiros contra o acampamento que resultou em três pessoas feridas. Aliás, um profissional um pouco mais sensato faria isso mais de longe.


Milton Simas no acampamento pró-Lula em Curitiba Nesta imagem é possível ver ao fundo a delimitação de área.

Na mídia tradicional e nas redes sociais a desproporcionalidade de destaque dos dois fatos adquiriu dimensões geométricas Taxada de cerceamento à liberdade da imprensa, a atitude do presidente do Sindijors conseguiu ser mais importante que o atentado.

Até entidades associativas que andavam adormecidas usaram a atitude, responsável, de Simas para criticar o sindicato. A crítica é legítima, o que não é legítimo é distorcer o fato. A menos que a versão seja mais importante, também para nós jornalistas!

Os repórteres que cobrem a pauta diária da Lava Jato estão habituados a transitar nas dependências administrativas da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, mas não estão familiarizados com situações tensas.

Talvez, de forma inocente o jornalista Sousa tenha pensado em fazer diferente do resto da imprensa nacional e internacional que está em Curitiba. Não o critico por isso, mas correu um risco desnecessário. Pra quem não sabe, situações assim precisam ser negociadas entre o repórter e a assessoria dos movimentos sociais.

São inúmeros os casos de repórteres feridos nas últimas coberturas de protestos. Aqui em Porto Alegre teve um episódio recente na Praça da Matriz, por ocasião da votação do projeto de extinção das Fundações na Assembleia Legislativa. Os manifestantes forçaram a entrada no parlamento e a Brigada Militar avançou a cavalaria, usou bombas de gás e balas de borracha contra os funcionários públicos.
Os repórteres se afastaram para trabalhar em segurança.

Às vezes podemos ser traídos pelo excesso de confiança e nesses casos um conselho dos mais experientes é de grande valia. Outra dica são os cursos que preparam jornalistas para o trabalho em ambientes de conflito.

Consumidores denunciam golpe de frentista e vídeo viraliza

Ainda estou chocada com o que aconteceu comigo no posto Ipiranga Lyon, na Avenida Sertório, nº 3837, próximo da Rua da Várzea, em Porto Alegre.

Já havia abastecido e estava indo embora, mas lembrei que precisava calibrar os pneus. Um jovem frentista muito atencioso fez o trabalho, agradeci e já saía quando ele me avisou num tom de voz mais alto: “Senhora, tá saindo fumaça do seu carro. Abre o capô”.

Assustada, abri imediatamente o capô e fui em frente ao carro para ver o que acontecia. O rapaz já estava abrindo a tampa do recipiente que armazena um líquido cor de rosa para o arrefecimento do radiador.

– “Olha só, estava aberta a tampa! Alguém mexeu aqui?”, perguntou o frentista.

Respondi que o carro tinha sido revisado na concessionária há pouco tempo e que nunca permito que abram o recipiente do líquido rosa. Mas ele se manteve firme em convencer-me dos riscos que corria. Perguntou se eu morava próximo e tal e insistiu:

– “Toque aqui nessas mangueiras prá senhora ver como tá quente”.

Respondi que achava normal pois o motor estava quente. Ele seguiu listando os riscos:

– “Se andar no carro nesse estado, pode queimar a bomba d’água, mais isso, mais aquilo, até fundir o motor”.

Outro frentista se juntou a ele e reforçou os perigos iminentes. Parecia que meu carro era uma arma química letal. Fiquei entre a dúvida e a contrariedade, mas achei que não valia economizar R$ 200,00 diante de tamanho risco.

Acompanhei o serviço no setor Jet Oil da Ipiranga, mas achando que estavam pulando fases. Sugaram o líquido, que parecia novo, para um recipiente grande e soltaram as mangueiras. Parecia um ki-suco de morango escorrendo no chão. Não precisava entender coisa alguma de radiador para ver que, no mínimo, um pequeno dano ambiental estava ocorrendo ali.

Líquido cor de rosa ainda, espalhado no chão

Por intuição, suspeitei que a operação ainda não estava completa quando começaram a colocar o produto novo. Questionei, mas argumentaram, os dois frentistas que me atendiam, que aqueles líquidos não se misturavam. Pensei na água e no óleo e deixei assim para não parecer muito burra e empurrarem mais alguma coisa. Mas estavam dispostos a faturar naquele sábado. Se olhavam, cochichavam… Então percebi que colocavam um outro produto, nem sei o que era, no compartimento da gasolina. Se é que colocaram, pois a agilidade era de Fórmula 1.

Sentindo que o valor iria aumentar, perguntei o que estavam colocando no tanque e reclamei. Disseram que era necessário por causa da troca do fluido blá, blá, blá. Mais R$ 150,00 pelo frasco de 450 ml. Fiquei danada da vida, disse que estava desconfiando da seriedade deles, que levaria o carro na concessionária e, se nada daquilo fosse necessário, voltaria para pegar meu dinheiro.

O gerente disse que não estipulavam preços e não me deu assunto. Solicitei nota com a especificação de tudo e, apesar da minha bronca, foram generosos e parcelaram os R$ 349,50 no cartão e sem juros.

Produto pra limpeza da injeção eletrônica dos carros

Deixei o posto pensando que o meu sábado poderia ter sido sem fluido de arrefecimento, líquido de arrefecimento ou aditivo de arrefecimento e sistema de injeção. Parei no próximo posto Ipiranga para conferir os preços e, para completar minhas suspeitas, o frasco de R$ 150,00 custava R$ 29,90. Fui em outro posto da mesma bandeira e perguntei se aquele produto necessitava ser colocado quando se fazia a troca do líquido do radiador.

Certamente o frentista me achou uma analfabeta em mecânica, mas respondeu com educação:

– “Não, senhora. Isso é para misturar com a gasolina”, garantiu ele.

Voltei ao posto disposta a pegar meu dinheiro. O gerente disse que não estabelecia preço e não podia fazer nada. Falei que chamaria a polícia.

– “Pode chamar. Faça o que a senhora quiser”, provocou ele.

Para o azar deles, naquele momento, outro cliente reclamava da mesma coisa. Identificamos que a abordagem assustadora e mentirosa foi idêntica e a facada também. Unimo-nos e chamamos a polícia que, aliás, atendeu-nos muito bem. Senti segurança com a presença deles para seguir adiante.

Gilmar também teve que fazer a mesma operação no seu carro

Enquanto os brigadianos registravam o ocorrido, resolvi relatar tudo numa transmissão ao vivo pelo Facebook. No domingo à tarde o vídeo começou a repercutir. Estava em 7 mil visualizações, à noite, 200 mil e na manhã de segunda-feira ultrapassava 300 mil.


Atendidos pelos policiais Matheus(E) e Fagner

Tínhamos combinado seguir adiante com a denúncia e assim fizemos: fomos à Delegacia do Consumidor e ao Procon de Porto Alegre. No meio da tarde soube que uma ação conjunta desses órgãos com o Inmetro e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) autuou o Posto Ipiranga Lyon e interditou três bicos de bombas por irregularidades. Uma delas entregava menos combustível que o marcado na bomba.


órgãos de defesa do consumidor

Agradeço as mensagens de apoio e também as centenas de relatos de pessoas que passaram por um problema semelhante ao meu no posto Ipiranga Lyon (Sertório, 3837, Porto Alegre) ou em qualquer outro posto da capital ou de qualquer cidade brasileira.

Para ter resultado tem de haver uma denúncia. É um direito nosso, não deixemos de fazê-la.

Vai haver alguém te criticando nas redes sociais, mas não dê bola nem troque ofensas. Deixe a fiscalização agir. A notícia está nas TVs, rádios e sites de notícias tradicionais e nas mídias alternativas. Em três dias o vídeo chegou a um milhão e meio de visualizações. Atribuo esse interesse das pessoas a uma coisa só: elas também foram vítimas desse tipo de golpe ou conhecem alguém que foi.

O tiro de Moro saiu pela culatra

Lula carregado nos braços da multidão
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Por essa o juiz de Curitiba não esperava mesmo. Sérgio Moro teve tanta pressa em prender Lula que transformou sua decisão no maior ato político da esquerda, desde a eleição vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República.

Ao expedir o mandado de prisão do ex-presidente suprimindo os recursos que a defesa ainda tinha direito, o juiz sublinhou sua perseguição a Lula. Sequer esperou o trânsito em julgado do processo na segunda instância.

No despacho ele definiu que o recurso Embargos dos Embargos é uma “patologia protelatória que deveria ser eliminada do mundo jurídico”.

O que impressiona é Moro confirmar que o recurso existe, mas, como ele não concorda, o melhor é descartar. Assim como custuma fazer, independente da determinacao legal.

Aliás, parece que o juiz pouco se importa com regras. Quando divulgou uma conversa gravada da presidenta Dilma com Lula, infringiu normas de segurança nacional.

À época, a Advocacia Geral da União (AGU) declarou que o juiz desrespeitou a ordem legal: “Todos são iguais perante a lei e a lei vale para todos, mas a lei distingue situações para defender interesse público. O açodamento em divulgar informação em pouco tempo em um inquérito qualificou desrespeito à ordem legal”.

Essa angústia do magistrado em fazer as coisas conforme seu desejo já causou enorme constrangimento ao país. Uma nação que tem sua Constituição violada por quem deveria protegê-la não passa uma boa impressão ao mundo.

Será que foi o Lula que transformou sua prisão em ato político, como a mídia tradicional insistiu? Quem o condenou admitindo a ausência de provas? Quem mandou prendê-lo antes de acabarem os recursos da defesa?

A transformação da prisão do ex-presidente Lula em ato político foi só uma conseqüência, que Sérgio Moro esqueceu de prever.

Não seria difícil imaginar que militantes do PT, de outros partidos da esquerda e dirigentes de várias legendas estariam ao lado de Lula nesse momento de perseguição.

Sim, o maior líder político da esquerda na América Latina foi preso, mas ele saiu, novamente, nos braços do povo e isso ninguém apagará da história.

Fotos: divulgação Frente Brasil Popular