O tiro de Moro saiu pela culatra

Lula carregado nos braços da multidão
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Por essa o juiz de Curitiba não esperava mesmo. Sérgio Moro teve tanta pressa em prender Lula que transformou sua decisão no maior ato político da esquerda, desde a eleição vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República.

Ao expedir o mandado de prisão do ex-presidente suprimindo os recursos que a defesa ainda tinha direito, o juiz sublinhou sua perseguição a Lula. Sequer esperou o trânsito em julgado do processo na segunda instância.

No despacho ele definiu que o recurso Embargos dos Embargos é uma “patologia protelatória que deveria ser eliminada do mundo jurídico”.

O que impressiona é Moro confirmar que o recurso existe, mas, como ele não concorda, o melhor é descartar. Assim como custuma fazer, independente da determinacao legal.

Aliás, parece que o juiz pouco se importa com regras. Quando divulgou uma conversa gravada da presidenta Dilma com Lula, infringiu normas de segurança nacional.

À época, a Advocacia Geral da União (AGU) declarou que o juiz desrespeitou a ordem legal: “Todos são iguais perante a lei e a lei vale para todos, mas a lei distingue situações para defender interesse público. O açodamento em divulgar informação em pouco tempo em um inquérito qualificou desrespeito à ordem legal”.

Essa angústia do magistrado em fazer as coisas conforme seu desejo já causou enorme constrangimento ao país. Uma nação que tem sua Constituição violada por quem deveria protegê-la não passa uma boa impressão ao mundo.

Será que foi o Lula que transformou sua prisão em ato político, como a mídia tradicional insistiu? Quem o condenou admitindo a ausência de provas? Quem mandou prendê-lo antes de acabarem os recursos da defesa?

A transformação da prisão do ex-presidente Lula em ato político foi só uma conseqüência, que Sérgio Moro esqueceu de prever.

Não seria difícil imaginar que militantes do PT, de outros partidos da esquerda e dirigentes de várias legendas estariam ao lado de Lula nesse momento de perseguição.

Sim, o maior líder político da esquerda na América Latina foi preso, mas ele saiu, novamente, nos braços do povo e isso ninguém apagará da história.

Fotos: divulgação Frente Brasil Popular

Dizem que “foi Marielle, mas poderia ser qualquer um”. Não concordo

Discordo de quem diz: foi a Marielle, vereadora do PSOL, mas poderia ser a liderança de qualquer partido, do DEM ou até do partido do Bolsonaro.

NÃO, CLARO QUE NÃO! Não poderia mesmo. Tudo que sabemos sobre políticos e/ou líderes comunitários executados, é que eles NÃO são da direita. Aliás, não conheço nenhum líder político da direita, que tenha forjado sua trajetória na defesa dos direitos das minorias.

A morte da Marielle Franco foi uma execução e não um crime pela falta de segurança pública no Rio de Janeiro. Não foi assalto, nem bala perdida. Não foi acidental, muito menos fatalidade, como já ouvi.

Ela foi assassinada por defender as pessoas que não são ouvidas. Pensando melhor, essas pessoas nem têm voz e a Marielle as ensinava a falar através da sua luta. Ela atrapalhou os planos de quem está habituado a oprimir.

Tem quem goste de dar plenos poderes à polícia e aprova, incontestavelmente, suas ações. Mesmo quando age com truculência e inúmeras vezes mata pessoas inocentes.
Quem nunca viu a polícia tratar cidadãos comuns como criminosos? E isso acontece por um motivo muito simples: essas pessoas estão em vilas e favelas, são pobres e negras. Basta isso para ser confundido com bandido.

A Marielle era essa pessoa que muita gente considera bandido, vândalo, traficante, ou só mais uma “negra metida”. Depois que conheceram sua história e viram a repercussão nacional e internacional ficaram admirados.

E quem acha exagerada a cobertura da sua morte, talvez tenha que rever seus conceitos de humanidade, solidariedade e, até, civilidade.

O crime

A vereadora Marielle Franco(PSOL), o motorista Anderson Gomes, que também morreu, e a assessora de imprensa, que não teve o mome divulgado, foram alvejados por volta das 21h30, na rua Joaquin Palhares, no bairro do Estácio, Centro do Rio.

De acordo com a polícia, um outro carro encostou do lado e foram feitos ao menos nove disparos na direção do banco do Chevrolet Agile branco. A vereadora foi atingida por quatro tiros na cabeça e pescoço. O motorista recebeu três disparos nas costas. A jornalista que estava no banco dos passageiros foi ferida pelos estilhaços.

Ela participava de um encontro com mulheres negras, no bairro da Lapa. O crime ocorreu poucos minutos depois deles deixarem o local.

Porto Alegre volta ao mapa das 50 cidades mais violentas do mundo


Foto arquivo- Sul 21

A capital gaúcha está na 39ª posição da lista mundial e na 12ª colocação entre as cidades brasileiras com o maior índice de mortes urbanas para 100 mil habitantes. Foram 1742 mortes para cada 100 mil habitantes, o que representa uma taxa de 40,96.

A estatística foi divulgada no último dia 5 de março, pela Organização Civil Conselho Cidadão para Segurança Pública, Justiça e Paz. Sediada no México a ONG faz o levantamento em cidades com mais de 300 mil habitantes e divulga as 50 mais violentas, desde 2007.

A capital gaúcha entrou nessa lista em 2014 na 37ª posição com 1442 mortes/ano. Em 2015 Porto Alegre foi para a 43ª posição, embora tenha aumentado o número de homicídios para 1479/ ano.

Em 2016 a cidade saiu do ranking, mas voltou neste ano na 39ª colocação.

Chama a atenção um
O Rio de Janeiro, sob intervenção federal na área de Segurança Pública, não figura nesse mapa das 50 cidades mais violentas do mundo. No mínimo uma dúzia de cidades está em situação mais grave sob o ponto de vista da violência urbana. Ocorre que nenhuma delas tem a visibilidade da capital carioca e, em ano eleitoral isso conta mais que qualquer estatística.-
O relatório faz aumentar as suspeitas de muitos especialistas que a ação no Rio é muito mais midiática e política do que técnica.

Chama a atenção dois

O Brasil é o país com o maior número de cidades nesse ranking. São 17 num total de 50 pesquisadas. Natal (RN) é a 4ª mais violenta na colocação geral e a 1ª entre as brasileiras seguida por Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Veja a lista completa em

Nos dados globais a primeira do ranking é a mexicana Los Cabos, com uma taxa de 111,33 homicídios por 100 mil habitantes. Caracas, capital da Venezuela, está na segunda posição com taxa de 111,19 mortos e Acapulco no México registrou uma taxa de 106,63, ficando em 3º lugar.

Entre os critérios adotados pela ONG Segurança Pública, Justiça e Paz
para organizar a pesquisa, está a taxa oficial dos homicídios por 100 mil habitantes. Também auxiliam na tabulação do estudo fontes jornalísticas e informes de outras ONGs e organismos internacionais.

Moro em Porto Alegre. Gosto da capital gaúcha, mas confesso que viver em uma cidade que integra essa estatística de violência me entristece. Acho que abala qualquer pessoa. Entretanto, há que perguntar: o que está sendo feito para mudar o cenário?

Reduzir investimentos e até terceirizar a educação, fechar escolas, entre outras medidas ditas econômicas, não resolve o problema. Para falar a verdade, acho que agrava a situação da violência.
Vamos continuar ouvindo que os governos estão quebrados? Mas há de ter alguma prioridade para quem está no poder!

Sobre o julgamento de Lula: “tenha paciência”!


Juiz Gebran Neto- relator TRF4- julgamento Lula- imagem Recordnews

Lamentavelmente não estou em Porto Alegre. Não imaginei que o TRF4 fosse tão célere em marcar a data do julgamento do ex-presidente Lula e marquei viagem para este período.

Ainda bem que não estou totalmente isolada e consigo acompanhar tudo em tempo real.

Acabo de assistir a uma matéria na Recordnews onde o repórter usa como fio condutor uma “amizade” de Lula com Sérgio Cabral, sugerindo que o ex-presidente está envolvido nos crimes de corrupção do ex-governador do Rio. Quase toda a reportagem é sobre o que Cabral fez e como se beneficiou da infinita propina.

Só que a única ligação entre eles foi a aliança política do PT com o PMDB e a atuação para trazer as Olimpíadas para o Brasil.

Comparando a matéria da Recordnews com os crimes imputados à Lula concluo que em ambas as situações há ausência de fatos verídicos ou provas comprobatórias.

Tirando a vontade do repórter de colocar o ex-presidente na vala comum dos corruptos de alto escalão, nada mais existe que justifique tal contextualização.

É a incrível capacidade do “jornalismo espetáculo” de encontrar semelhança entre melancias e cebolas, por exemplo.

A coisa mais sensata que ouvi hoje, durante o café, veio da cozinheira da pousada que estou hospedada
Ela referia-se ao julgamento que pode condenar Lula: TENHA PACIÊNCIA!”

Com sorte um desembargador pede vistas e devolve a imparcialidade política ao judiciário brasileiro.

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

As coisas chegaram ao limite. As autoridades precisam entender que a população não aguenta mais. Não tem como suportar a retirada de tantos direitos de braços cruzados. Só quem está perdendo conhece essa dor.

Não aguentamos escolas e postos de saúde caindo aos pedaços e ainda ter os investimentos em educação e saúde reduzidos. As autoridades que impuseram ou aceitaram esses cortes deveriam morrer de vergonha. Deveriam pedir demissão por incompetência.

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

A população não suporta pagar taxas de lixo e iluminação pública e andar em praças e ruas imundas e às escuras. Pagar IPVA e trafegar em vias esburacadas e mal sinalizadas.

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

Ninguém aguenta saber que os professores dos nossos filhos não têm dinheiro para pagar aluguel, luz e telefone, entre outras despesas. Que vivem da caridade dos amigos e familiares. Eu não consigo reclamar da greve dos professores. Nós deveríamos ir para rua com eles e dizer que isso é humilhante.


Professores protestam na Praça da Matriz em Porto Alegre – foto Sul21

Por isso eu apoio a greve geral e tu?

As pessoas estão amedrontadas com a violência que tem abreviado tantas vidas. Queremos mais policiais nas áreas públicas. Queremos andar sem medo pelas cidades.


foto Maia Rubim/Sul21

Por isso, e por muito mais, eu apoio a greve geral do dia 5 de dezembro. E tu?

Agroindústria familiar na Expointer foi coisa do Olívio Dutra

Agroindústria familiar na Expointer foi coisa do Olívio Dutra


foto: divulgação Palácio Piratini

Muitas pessoas não sabem, outras não lembram e algumas não darão o braço à torcer, mas quem abriu as porteiras da Expointer para a agricultura familiar foi Olívio Dutra, no segundo ano do seu mandato, em 1999.

Até então a pecuária era o foco da maior exposição agropecuária da América Latina, mas o governador petista destinou um pavilhão para aos pequenos produtores.

foto:Tina Griebeler -Expointer 2017

O MST tinha invadido uma fazenda em Hulha Negra e os pequenos agricultores estavam com crachá de expositor. Os fazendeiros ficaram incomodados
e ameaçaram boicotar a Expointer.

Antes que “estourasse a boiada” o bom senso financeiro prevaleceu e a feira foi um sucesso de público e renda.

Passados 18 anos ninguém concebe a Expointer sem a presença da agroindústria familiar. Aliás, as vendas desse segmento, que representa cerca de 27% do PIB gaúcho, aumentam ano após ano.


foto: Tina Griebeler

Em 1999 eram 30 expositores com seus produtos orgânicos e coloniais. Nesta 40ª edição da Expointer, segundo dados são organização, sao 201 empreendimentos de 131 municípios do Rio Grande do Sul.
No ano passado o segmento comercializou cerca de R$ 2 milhões.

A elite rural não tolerava o Olívio Dutra, mas foi o governador que tirou a Expointer do vermelho e encaminhou o primeiro saldo positivo, segundo dados da Contadoria Geral do Estado(CAGE),apresentados na edição daquele ano.

O setor de Máquinas agrícolas, atual carro-chefe da Expointer, também foi impulsionado pelo governo de Olívio Dutra, mas este é assunto para outro post.
Por enquanto fica a foto de Olívio com representantes do Sindicato de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do RS.


foto:Tina Griebeler

Rodrigo Maia engavetou pedido de impeachment de Temer e OAB recorre ao STF

Presidente da OAB Cláudio Lamachia
foto:Valter Campanato/Agência Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil ingressou nesta quinta-feira(17) no Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança contra Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que ele decida sobre o pedido de impeachment do presidente Temer. Há quase três meses a OAB protocolou o documento na Câmara dos Deputados, mas o presidente não deu qualquer andamento no processo o que, na opinião de Claudio Lamachia é um ato “omissivo, abusivo e ilegal”.


foto: Brasil 247

A instituição solicitou a cassação do mandato de Michel Temer baseada no parecer produzido pela comissão especial convocada para analisar a conduta do presidente Michel Temer relatada em delação premiada do empresário Joesley Batista, conforme manifestação divulgada no site da OAB.

Claudio Lamachia lembrou que Rodrigo Maia tem responsabilidades com a sociedade. “Essa postura nos leva a crer que o presidente da Câmara serve como uma muralha de proteção do presidente da República. E não é isso que a sociedade quer ver”, declarou.

A OAB ingressou com pedido de impeachment de Temer no dia 25 de maio e até o presente momento Rodrigo Maia, a quem cabe a responsabilidade de aceitar ou recusar a solicitação, não disse se aceita ou rejeita. “Não é crível, não é lógico e não é razoável que o presidente da Câmara demore 80 dias para um simples despacho de admissibilidade ou de indeferimento”, afirma Lamachia.

Já são 25 pedidos de impeachment de Temer protocolados na Câmara dos Deputados, sendo 22 por conta da delação da JBS. Rodrigo Maia não decidiu nada sobre nenhum deles.

INTEGRA DO MANDADO DE SEGURANÇA
http://s.oab.org.br/arquivos/2017/08/ms-ato-omisso-rodrigo-maia-camara-dos-deputados-nao-processamento-pedido-de-impeachment-ii-1.pdf

Silêncio das panelas, mudez das ruas e negociatas livram Temer da investigação

Brasília – Plenário da Câmara rejeita autorização para STF investigar denúncia contra o presidente Michel Temer (Wilson Dias/Agência Brasil)

Deputados livram Temer de investigação pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da justiça. (foto- Wilson Dias/Agência Brasil)

O mundo inteiro viu deputados fazendo pouco caso da rejeição do presidente Temer por mais de 80% da população. Alguns com comportamento colegial foram repreendidos pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Como se não bastasse, um parlamentar machista berra “gostosa” quando uma colega é chamada para registrar presença. Rodrigo Maia perdeu a oportunidade de alertar que o ato sexista não é atitude de homem, muito menos dentro do Congresso Nacional.

A vitória de Temer na Câmara Federal não me surpreendeu. O que me assustou foi com o silêncio sepulcral das panelas. A orquestra dos paneleiros parecia um símbolo de combate à corrupção, mas era apenas uma manifestação barulhenta contra o governo Dilma. Não estranhei os parlamentares que vociferaram contra a corrupção, na votação que aprovou o impedimento da ex-presidente, terem barrado a investigação de Michel Temer pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de justiça. Fiquei incomodada com a mudez das ruas.

Sumiram as chamadas “pessoas de bem”, que faziam “manifestações pacíficas” sem representação de partidos políticos e com o apoio irrestrito da imprensa. Para onde migrou toda aquela gente que clamava pelo fim da corrupção? Aquelas pessoas não dão a menor pelota se Temer está denunciado, se tinha uma mala com R$ 500 mil, se muitos dos seus ministros são réus ou se o governo comprou votos dos deputados antecipando dinheiro de emendas parlamentares.

Segundo levantamento do Jornal Valor Econômico, Temer gastou mais de R$ 13 bilhões para barrar a denúncia do Ministério Público Federal e aceita pelo Supremo Tribunal Federal. Foram R$ 4,15 bilhões com emendas parlamentares e R$ 13,2 bilhões para refinanciar a dívida de produtores rurais e aumentar os royalties da mineração.

Agora temos que preparar o bolso para pagar essa conta elevadíssima. Além da reforma da Previdência, que só os empresários acham necessária, deve vir arroxo salarial e mais cortes em programas sociais. Sem contar, é claro, com mais aumento de imposto.

Eliseu Padilha achou normal troca de deputados na CCJ para barrar denúncia contra Temer

Brasília – Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ministro Padilha saiu da toca e isso é sinal de que o governo saiu do paredão. Desde o escândalo dos irmãos Batista que Eliseu não aparecia muito na imprensa, mas nesta sexta-feira, 14, voltou ao cenário para explicar a troca de deputados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Absolutamente normal, do jogo político do Congresso Nacional”, disse o ministro em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

As 25 substituições garantiram a rejeição do relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ). Na CCJ foram 41 votos a favor de Michel Temer e 24 contra, o que representa quase dois por um. Agora o Plenário da Câmara dos Deputados votará outro relatório, o do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB -MG) que recomendará a suspensão desse processo contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo já usou esse tipo de expediente na escolha dos ministros. Na Saúde foi anunciado que seria um notável, mas na última hora o PP indicou o deputado Ricardo Barros (PP). Padilha relatou em palestra na Caixa, em São Paulo, em fevereiro deste ano: “Vocês garantem todos os votos do partido nas votações?”. “Garantimos”. “Então o Ricardo será o notável.” Confira gravação divulgada pelo Estadão.

Padilha admite troca de votos por ministério; ouça o áudio ESTADÃO

Pelas palavras do ministro é possível notar que o governo não medirá esforços para conseguir 172 votos, entre os 513 deputados, para aprovar esse novo relatório, impedindo assim que o STF prossiga com a investigação. A sessão ficou marcada para depois do recesso, dia 2 de agosto.

As indicações de Temer e a maré de sorte de Aécio


foto:Brasil 247

As escolhas de Michel Temer

O presidente escolheu para Procuradora-Geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge. Qual a surpresa? É que ela foi a segunda candidata mais votada na lista tríplice e havia uma tradição, que começou com Lula, de indicar o escolhido pelos integrantes da Ministério Público Federal. O vitorioso foi o vice-procurador Eleitoral Nicolao Dino, mas ele pediu a cassação de Temer no TSE e é aliado do atual Procurador-Geral Rodrigo Janot, que denunciou o presidente por corrupção passiva e estabeleceu multa de R$10 milhões por danos coletivos. Alguém achou que seria o mais votado o escolhido?


foto: Band TV


Rodrigo Janot e Raquel Dodge
foto: Antônio Cruz, Agência Brasil

Parece que na cabeça do Temer a futura chefe do MPF Raquel Dodge tem poder para frear essas delações, pelo menos no que se refere a ele, até a eleição de 2018. Essa foi a impressão da população e dos parlamentares denunciados ou sob suspeita na Operação Lava Jato. Se segura o Temer, pode segurar uns quantos? E de esperar para ver!


Admar Gonzaga(em pé) e Tarcício Neto
foto: Brasil 247

Os ministros Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, indicados por Temer para o Superior Tribunal Eleitoral, votaram contra a cassação do mandato do presidente.
Para que a maioria dos mortais não fique muito chocada com o que vem por aí, é bom lembrar que a sorte está com os que ocupam as primeiras fileiras da velha política.

A maré de sorte de Aécio


foto: jornalggm.com.br

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) quase foi para a cadeia, como a irmã Andrea Neves e o primo Frederico de Medeiros, mas virou o jogo nos acréscimos. Tirou o pé do xilindró e ainda conseguiu libertar os parentes. Foi afastado do cargo pelo STF, mas já retomou. A decisão saiu nesta sexta,30. E como a maré é de sorte para o tucano, o relator do inquérito 4392 será Alexandre de Moraes, que foi filiado ao PSDB até ingressar na Suprema Corte por indicação de Michel Temer. Cabe lembrar que Moraes era tucano de alta plumagem, pois foi ministro da Justiça de Temer e secretário da Justiça do governador Geraldo Alckmin (SP). Nessa ação Aécio Neves é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, cartel e fraude a licitações, segundo os delatores da Odebrecht.


Foto: DCM

Mas a sorte de Aécio ainda não acabou. O inquérito 4444, em que é investigado por suposto recebimento ilegal de dinheiro da Odebrecht para sua campanha, o relator sorteado foi o Ministro do STF Gilmar Mendes. O magistrado está famoso pelas declarações inflamadas contra a Lava Jato e o Procurador-Geral Rodrigo Janot, que pediu a prisão de Aécio Neves.