Eliseu Padilha achou normal troca de deputados na CCJ para barrar denúncia contra Temer

Brasília – Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ministro Padilha saiu da toca e isso é sinal de que o governo saiu do paredão. Desde o escândalo dos irmãos Batista que Eliseu não aparecia muito na imprensa, mas nesta sexta-feira, 14, voltou ao cenário para explicar a troca de deputados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Absolutamente normal, do jogo político do Congresso Nacional”, disse o ministro em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

As 25 substituições garantiram a rejeição do relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ). Na CCJ foram 41 votos a favor de Michel Temer e 24 contra, o que representa quase dois por um. Agora o Plenário da Câmara dos Deputados votará outro relatório, o do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB -MG) que recomendará a suspensão desse processo contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo já usou esse tipo de expediente na escolha dos ministros. Na Saúde foi anunciado que seria um notável, mas na última hora o PP indicou o deputado Ricardo Barros (PP). Padilha relatou em palestra na Caixa, em São Paulo, em fevereiro deste ano: “Vocês garantem todos os votos do partido nas votações?”. “Garantimos”. “Então o Ricardo será o notável.” Confira gravação divulgada pelo Estadão.

Padilha admite troca de votos por ministério; ouça o áudio ESTADÃO

Pelas palavras do ministro é possível notar que o governo não medirá esforços para conseguir 172 votos, entre os 513 deputados, para aprovar esse novo relatório, impedindo assim que o STF prossiga com a investigação. A sessão ficou marcada para depois do recesso, dia 2 de agosto.

Em dia de greve geral os trabalhadores dizem não à reforma da previdência

Desta vez a grande mídia não conseguiu reduzir as manifestações da greve geral a um simples problema de trânsito. Milhares de trabalhadores foram às ruas do Brasil, nesta quarta-feira, 15, e disseram não à Reforma da Previdência e trabalhista, que retira direitos, aumenta o tempo de contribuição e a idade mínima de aposentadoria. O presidente Temer tentou minimizar e disse: “Ninguém vai perder direito.” A verdade é que a população não acredita.

Os protestos mobilizaram movimentos sociais, sindicatos de diversas categorias como metroviários, portuários, professores, policiais, motoristas de ônibus, agricultores, servidores públicos federais, estaduais e municipais, estudantes, entre outros trabalhadores, de Norte a Sul do país.

15/03/2017 – PORTO ALEGRE, RS -Dia de mobilização contra a reforma da previdencia na praça da matriz. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os parlamentares, desacreditados até o último grau, terão que ouvir o “recado das ruas” ou, além da lista do Janot eles poderão entrar na lista do eleitor. Se a população se enfezar mesmo, pode abreviar a carreira política de muitos já em 2018.

Será que o colapso na Previdência poderá ocorrer por culpa do trabalhador? Não! O que está levando o país à bancarrota é a corrupção, sonegação fiscal e incapacidade dos gestores públicos. Só que a conta será paga por todos nós, inclusive as novas gerações que terão que contribuir por 49 anos. Isso mesmo, quase meio século pagando a previdência!

Os jovens das famílias que não são ricas, maioria esmagadora no Brasil, começarão a trabalhar aos 16 anos, o que jogará o estudo para segundo ou terceiro plano. Como está posto, o que se avizinha é um país de velhos dependentes ou abandonados e jovens sem formação.
As desigualdades sociais serão ainda maiores, se é que me faço entender.