Parece que as pessoas contraíram o vírus da maldade


foto:Guilherme Santos- Sul 21
Parece que as pessoas contraíram o vírus da maldade

Me pergunto todos os dias, desde que o início da disputa eleitoral, quando foi que as conquistas sociais, trabalhistas e de humanidade começaram a desmoronar? Em algum momento se abriu a gaveta da falta de civilidade e as pessoas começaram a agir com raiva, espancar gays e negros, entre outras selvagerias.

Quem dera fosse um filme de ficção, onde cientistas do mal liberam um vírus que contamina os seres humanos e os transforma em zumbis.

Mas este roteiro é de documentário, infelizmente. Voltou o tempo triste que nós mulheres tínhamos medo do assédio masculino no trabalho, na rua, em bares e tantos outros lugares. Voltaram aqueles dias, que nunca sumiram totalmente, de ouvir as indigestas piadas racistas e incontáveis ofensas. Muitas pessoas da comunidade LGBTI+ são ameaçadas diariamente e muitas foram espancados a até a morte.


Que tipo de sentimento esses agressores têm? Eles têm família? Amam? Gostam de cinema? Celebram o Natal? Será que esses agressores abraçam outras pessoas?

Aquela polícia de ações mais humanitárias, com projetos de aproximação com as comunidades carentes também está com os dias contados. O presidente eleito Jair Bolsonaro já avisou que os policiais terão ” licença para matar”. Até as pessoas comuns poderão ter armas de fogo, mediante o cumprimento de algumas normas. Ocorre que o Brasil é um dos países com mais mortes por arma de fogo do planeta. Poderemos ter uma legião de “justiceiros”, no pior estilo “Desejo de Matar”.

Quando um líder político estimula os instintos irracionais da população o risco é iminente. Isso tem tudo para dar errado.

Vereador de Guaíba propõe Lei Seca

Vereador de Guaíba propõe Lei Seca

O Projeto de Lei nº 079/2017 do vereador Alex Medeiros (PP) proíbe o consumo de bebida alcoólica em todos os locais públicos do município, a partir das 22 horas. Se aprovada, a chamada “Lei Seca” não se aplicará à eventos públicos, onde a comercialização de bebidas esteja autorizada pela prefeitura. A proposta também não vale para bares, quiosques, lanchonetes, casas de eventos e restaurantes.


Beira- foto: Valmir Michelon

Guaíba é privilegiada por uma orla maravilhosa e bem cuidada, mas apenas um bar está no calçadão que margeia o lago. Num dos cartões postais da cidade, a Beira, que inclui espaços públicos como Parque da Juventude, Skate Parque, píer, largo da hidroviária, prainha e Praça da Bandeira, a “Lei Seca” vai imperar, se os vereadores levarem adiante essa ideia.


vista aérea da orla- foto: Phanton produtora

O motivo do Projeto de Lei, segundo justificativa, estaria “fundamentado nos direitos à segurança, à saúde, à tranquilidade e ao sossego público”. No entanto, não existem dados científicos ou quaisquer amostragens que sustentem a proposta. O tema também não foi debatido com especialistas nessas áreas.


Praça da Luz, Cohab- foto:divulgação Prefeitura

Com a “Lei Seca” os guaibenses podem esquecer aquele churrasquinho com amigos e familiares, na pracinha do bairro, ou até mesmo na calçada. Aliás, esse é um programa muito comum nos parques da capital gaúcha.

Vista da Escadaria- foto: Civa Silveira

O conservadorismo avança a passos largos e se não tomarmos cuidado as proibições invadirão também os nossos lares.

Casa de Gomes Jardim no Sítio Histórico – foto: Civa Silveira

Governo Temer autoriza o trabalho escravo

O governo conseguiu lançar mais uma bomba sobre as nossas cabeças. Além da reforma trabalhista que retira direitos dos cidadãos, o ministério do Trabalho editou medida provisória que flexibiliza as regras de combate ao trabalho escravo. Mais uma humilhação aos trabalhadores brasileiros.


Pedro Haas Lacerda de 67 anos- foi resgatado após 29 anos de trabalho escravo, em Rio Pardo. foto:SRTE-RS

Agora não basta trabalho forçado, servidão por dívida, condições degradantes ou jornada exaustiva, para representar trabalho escravo no Brasil. A portaria nº MTB Nº 1129 DE 13/10/2017 redefiniu condição análoga à de escravo:

“Submissão do trabalhador a trabalho exigido sob ameaça de punição, com uso de coação, realizado de maneira involuntária;
Cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto, caracterizando isolamento geográfico;

Manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto;

Retenção de documentação pessoal do trabalhador, com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho”.

Por conta da atitude desastrosa, que atende interesses de empresários escravagistas, o Brasil ganhou destaque negativo, nem poderia ser diferente, em todos os organismos sociais e instituições que balizam as condições de trabalho.

Casebre onde vivia seu Pedro Lacerda – foto: SRTE-RS

A portaria foi publicada na segunda-feira, 16, dois dias antes da votação, na Câmara Federal, do relatório que barrava a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da República.

Trabalho escravo pode salvar Temer

O ex-procurador-geral da República acusou Temer de tentar barrar a Lava Jato e chefiar um grupo criminoso no PMDB. Rodrigo Janot também acusou o presidente de atuar em favor de empreiteiras e outras empresas em troca de propina, quando era deputado.

A denúncia analisada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi votada nesta quarta-feira, 18. O resultado, claro, foi favorável a Michel Temer. 39 deputados aprovaram o relatório que impede a investigação, 26 votaram contra e 1 parlamentar não compareceu. A decisão final ainda passará pelo Plenário da Câmara Federal.


foto: Cleia Viana- Câmara Deputados

Para que o STF processe Temer são necessários 342 votos dos 513 deputados. Em agosto, a primeira denúncia foi barrada por 263 votos a favor do presidente e 227 contra.

Se o governo revogar a portaria do trabalho escravo é provável que perca os votos, principalmente, da bancada ruralista que reivindicou a mudança.

Eliseu Padilha achou normal troca de deputados na CCJ para barrar denúncia contra Temer

Brasília – Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ministro Padilha saiu da toca e isso é sinal de que o governo saiu do paredão. Desde o escândalo dos irmãos Batista que Eliseu não aparecia muito na imprensa, mas nesta sexta-feira, 14, voltou ao cenário para explicar a troca de deputados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Absolutamente normal, do jogo político do Congresso Nacional”, disse o ministro em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

As 25 substituições garantiram a rejeição do relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ). Na CCJ foram 41 votos a favor de Michel Temer e 24 contra, o que representa quase dois por um. Agora o Plenário da Câmara dos Deputados votará outro relatório, o do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB -MG) que recomendará a suspensão desse processo contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo já usou esse tipo de expediente na escolha dos ministros. Na Saúde foi anunciado que seria um notável, mas na última hora o PP indicou o deputado Ricardo Barros (PP). Padilha relatou em palestra na Caixa, em São Paulo, em fevereiro deste ano: “Vocês garantem todos os votos do partido nas votações?”. “Garantimos”. “Então o Ricardo será o notável.” Confira gravação divulgada pelo Estadão.

Padilha admite troca de votos por ministério; ouça o áudio ESTADÃO

Pelas palavras do ministro é possível notar que o governo não medirá esforços para conseguir 172 votos, entre os 513 deputados, para aprovar esse novo relatório, impedindo assim que o STF prossiga com a investigação. A sessão ficou marcada para depois do recesso, dia 2 de agosto.

Em dia de greve geral os trabalhadores dizem não à reforma da previdência

Desta vez a grande mídia não conseguiu reduzir as manifestações da greve geral a um simples problema de trânsito. Milhares de trabalhadores foram às ruas do Brasil, nesta quarta-feira, 15, e disseram não à Reforma da Previdência e trabalhista, que retira direitos, aumenta o tempo de contribuição e a idade mínima de aposentadoria. O presidente Temer tentou minimizar e disse: “Ninguém vai perder direito.” A verdade é que a população não acredita.

Os protestos mobilizaram movimentos sociais, sindicatos de diversas categorias como metroviários, portuários, professores, policiais, motoristas de ônibus, agricultores, servidores públicos federais, estaduais e municipais, estudantes, entre outros trabalhadores, de Norte a Sul do país.

15/03/2017 – PORTO ALEGRE, RS -Dia de mobilização contra a reforma da previdencia na praça da matriz. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os parlamentares, desacreditados até o último grau, terão que ouvir o “recado das ruas” ou, além da lista do Janot eles poderão entrar na lista do eleitor. Se a população se enfezar mesmo, pode abreviar a carreira política de muitos já em 2018.

Será que o colapso na Previdência poderá ocorrer por culpa do trabalhador? Não! O que está levando o país à bancarrota é a corrupção, sonegação fiscal e incapacidade dos gestores públicos. Só que a conta será paga por todos nós, inclusive as novas gerações que terão que contribuir por 49 anos. Isso mesmo, quase meio século pagando a previdência!

Os jovens das famílias que não são ricas, maioria esmagadora no Brasil, começarão a trabalhar aos 16 anos, o que jogará o estudo para segundo ou terceiro plano. Como está posto, o que se avizinha é um país de velhos dependentes ou abandonados e jovens sem formação.
As desigualdades sociais serão ainda maiores, se é que me faço entender.