Idoso diz que jovens não chegarão na idade deles. Aposentados protestam contra a reforma da Previdência

Na última sexta-feira,24, aposentados e trabalhadores de diversas cidades do Rio Grande do Sul, caminharam pelas ruas de Porto Alegre, em protesto à reforma da Previdência. A manifestação começou no início da tarde, após a audiência pública que reuniu centenas de pessoas, na Assembleia Legislativa. Gente que vive em cidades pequenas, na zona rural, e que nunca tinha vindo à capital, estava aqui “para defender seus direitos”, diziam os representantes dos idosos.

Conversei com alguns deles e compartilho aqui a opinião do seu Davi Comis de 73 anos e Brasilício Pavão de 68.

Terceirização: bom pra quem?


Deputados aprovaram terceirização total nas empresas
foto Gustavo Lima- Câmara Deputados

Pelo que acompanho sobre serviços terceirizados no setor público e em alguns casos do setor privado, tenho motivos para acreditar que nessa o trabalhador sempre leva a pior. Nas obras nos estádios da Copa de 2014, por exemplo, milhares de trabalhadores cruzaram os braços por atraso nos salários e condições análogas à mão de obra escrava.

Centenas de pessoas que trabalharam para empresas terceirizadas, na construção da Arena do Grêmio, aqui em Porto Alegre, denunciaram os baixos salários, atrasos no pagamento e a condições insalubres das moradias, que eram no próprio canteiro de obras.
De acordo com as entidades sindicais, outra prática comum nesse setor são os contratos de experiência por até 90 dias. A pessoa é dispensada e 180 dias depois é recontratada em outra função e, em alguns casos, com salário menor, tudo para escapar das obrigações de vínculo empregatício.

No setor público seguidas vezes acompanhamos profissionais protestando por atraso nos salários, falta de pagamento do vale-transporte, entre outros direitos. As manifestações são sempre no órgão onde as pessoas prestam o serviço. Aqui na capital temos exemplos nos executivos municipal e estadual, e a pratica é comum nas secretarias de Educação, Saúde, Obras e Meio Ambiente e Tecnologia da Informação, que mantêm terceirizados quase na totalidade dos serviços.

Parece interminável a lista de serviços terceirizados no setor público, e a grande maioria, tem as honrosas exceções, apresentam problemas de precarização da mão de obra. Desde programa para rodar folha, IPTU, passando por transporte escolar, serviços de saúde, recolhimento de lixo, pavimentação de ruas e atendimento de programas sociais, entre outros.

Empresas terceirizadas também contratam outras, o que vira uma quarteirização da mão de obra, distanciando ainda mais o vínculo com o funcionário. A experiência mostra que isso só é bom para empregadores. Quer dizer, empregador não terá mais, né?

Carne podre! Não bastava o leite envenenado?

A operação Carne Fraca da Polícia Federal desvendou um esquema de corrupção, onde funcionários públicos recebiam propina para liberar produtos vencidos. A falcatrua envolve os maiores frigoríficos do país, detentores de marcas como Sadia, Seara e Perdigão. Aquele carimbo de qualidade do Ministério da Agricultura, infelizmente, foi reduzido a um borrão roxo que suja a carne.

O governo ainda está tentando digerir o estrago que a notícia fez, quando chegou à população brasileira e, principalmente ao mercado internacional, que já pede explicações. Os balcões dos supermercados trataram de substituir as marcas dos frigoríficos citados, restaurantes, açougues e até o carrasquinho da esquina, estão se virando com a criatividade. O povo fala que até a carne de abigeato virou selo de garantia.

Sem entrar na discussão que isso é disputa de poder dentro da Polícia Federal, ou que a instituição exagerou, para atender interesses americanos, o que eu não descartado, a verdade é que comer carne podre nem pensar. Já basta o leite envenenado!

foto divulgação internet

Senadores que massacraram Fachin agora estão nas mãos dele

Os tucanos e outros senadores de oposição ao governo Dilma fizeram de tudo para derrubar a indicação do então advogado Luis Edson Fachin, para ministro do STF, na vaga de Joaquim Barbosa. Menos o paranaense Álvaro Dias(PSDB), presidente da CCJ, que fez campanha para a aprovação de Fachin.

A sabatina ocorrida em maio de 2015 teve momentos constrangedores, tal a agressividade dos questionamentos de alguns parlamentares. A arguição passou de 12 horas, sendo a mais demorada da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 20 anos.


foto Sul 21

Mas a roda girou e alguns daqueles políticos estão na lista do Janot. E agora?

Naquela época a operação estava com as baterias apontadas para o governo Dilma e os tucanos queriam saber o que ele achava da censura à imprensa, pensando em grandes revelações sobre a presidenta. Fachin disse:

“Não podemos ter censura em nenhuma hipótese”, enfatizou admitindo que acompanhou na imprensa muitas leituras sobre sua pessoa, muitas delas desabonatórias, mas que mesmo assim defende os princípios do Artigo 5º da Constituição, capítulo da Carta Magna que trata das garantias individuais.

Com base nessa resposta acho que o relator da lava-jato no Supremo vai abrir o sigilo de tudo e de todos.

Em dia de greve geral os trabalhadores dizem não à reforma da previdência

Desta vez a grande mídia não conseguiu reduzir as manifestações da greve geral a um simples problema de trânsito. Milhares de trabalhadores foram às ruas do Brasil, nesta quarta-feira, 15, e disseram não à Reforma da Previdência e trabalhista, que retira direitos, aumenta o tempo de contribuição e a idade mínima de aposentadoria. O presidente Temer tentou minimizar e disse: “Ninguém vai perder direito.” A verdade é que a população não acredita.

Os protestos mobilizaram movimentos sociais, sindicatos de diversas categorias como metroviários, portuários, professores, policiais, motoristas de ônibus, agricultores, servidores públicos federais, estaduais e municipais, estudantes, entre outros trabalhadores, de Norte a Sul do país.

15/03/2017 – PORTO ALEGRE, RS -Dia de mobilização contra a reforma da previdencia na praça da matriz. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os parlamentares, desacreditados até o último grau, terão que ouvir o “recado das ruas” ou, além da lista do Janot eles poderão entrar na lista do eleitor. Se a população se enfezar mesmo, pode abreviar a carreira política de muitos já em 2018.

Será que o colapso na Previdência poderá ocorrer por culpa do trabalhador? Não! O que está levando o país à bancarrota é a corrupção, sonegação fiscal e incapacidade dos gestores públicos. Só que a conta será paga por todos nós, inclusive as novas gerações que terão que contribuir por 49 anos. Isso mesmo, quase meio século pagando a previdência!

Os jovens das famílias que não são ricas, maioria esmagadora no Brasil, começarão a trabalhar aos 16 anos, o que jogará o estudo para segundo ou terceiro plano. Como está posto, o que se avizinha é um país de velhos dependentes ou abandonados e jovens sem formação.
As desigualdades sociais serão ainda maiores, se é que me faço entender.

O dia é para reflexão e mobilização e não só para receber flores.

Escolhi este dia 8 de março para compartilhar o primeiro texto neste espaço onde, prioritariamente, vou abordar assuntos da política. No Dia Internacional da Mulher diversos organismos nacionais e internacionais de pesquisa divulgam dados assustadores de violência contra a mulher. Encarceramento doméstico, abuso sexual e espancamento, entre outras barbáries,colocaram o Brasil na 5ª posição, entre os países mais violentos, segundo dados divulgados pela ONU Mulheres do Brasil O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea) revela que 14 mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Apenas por ser mulher, a cada uma hora e meia uma de nós é morta.

A posição que as mulheres ocupam no mercado de trabalho são desanimadores conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na média mundial ganhamos cerca de 77% dos salários dos homens, e nos cargos mais altos a discriminação é ainda maior, pois recebemos a metade do que é pago aos homens. A OIT prevê que nesse ritmo, a igualdade salarial demoraria mais de 70 anos.
Pensemos: até lá o homem já terá habitado Marte há uns 60 anos!

A participação global feminina na política ainda tem muito que avançar. De acordo com a ONU Mulheres, ficou em 22% o índice de participação nos parlamentos, no mapa de 2015. Nesse ranking o Brasil ocupa a vergonhosa 153ª posição, em 193 países pesquisados.
Nações com histórico de violação dos direitos das mulheres, como Afeganistão, Nepal, Paquistão, Somália, Síria e Arábia Saudita, entre dezenas de outros, estão muito frente.

De acordo com levantamento do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), apenas 641 prefeitas foram eleitas em 2016, o que representa 11,57% do total dos 5568 municípios brasileiros. A baixíssima representação vai na contramão, já que somos a maioria dos eleitores, 50,5%.

Faz 85 anos da conquista do voto feminino, em 24 de fevereiro de 1932, no governo de Getúlio Vargas, embora a luta tenha começado na década de 1880, quando as mulheres entraram na defesa da causa abolicionista. O movimento feminista foi fortalecido em 1922 com a criação da Federação pelo Progresso Feminino, dirigida por Bertha Luz.

As sólidas instituições brasileiras, na sua esmagadora maioria, reservam os cargos mais altos aos homens..O Senado Federal jamais teve uma mulher na presidência e apenas 13% da composição é feminina, são 12 mulheres e 69 homens. Na Câmara Federal os números são piores, 9,9%, sendo 51 deputadas do total das 513 cadeiras, e nunca uma mulher conseguiu chegar à presidência.
Já a maior conquista na política feminina brasileira foi a eleição de Dilma Rousseff presidente da República em duas disputas.

Na mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF) duas mulheres foram presidentes, Ellen Gracie em 2006 e Carmen Lucia, eleita em 2016. A atual mandatária do STF foi a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2012.
No ano passado o Superior Tribunal de Justiça (STJ) elegeu pela primeira vez uma ministra para o cargo de presidente, Laurita Hilário Vaz.
O Tribunal de Contas da União (TCU) foi o primeiro a ter uma mulher na presidência, a ministra Élvia Castelo Branco, em 1994, pioneirismo que não abriu espaço para a participação feminina, pois só em 2011 a deputada Ana Arraes chegou ao TCU, sendo a segunda ministra. Já o Ministério Público Federal (MPF) nunca teve uma Procuradora-Geral da República.

O Rio Grande do Sul já elegeu uma governadora, Yeda Crusius em 2007, mas a capital gaúcha nunca teve uma mulher na prefeitura. A Assembleia Legislativa foi presidida, pela primeira vez pela deputada Silvana Covatti em 2016, já a Câmara de Vereadores teve três mulheres no cargo mais alto, 2004, 2007 e 2011 com Margarete Moraes, Maria Celeste e Sofia Cavedon, respectivamente.

O Ministèrio Público Estadual(MPE) elegeu Simone Mariano da Rocha para o cargo de Procuradora-Geral de Justiça em 2009 e o Tribunal Regional Eleitoral(TRE-RS) foi presidido pela desembargadora Elaine Marques Batista em 2012.
Na contramão das conquistas femininas estão o Tribunal de Justiça (TJ) que nunca teve uma mulher na presidência e o Tribunal de Contas do Estado, atualmente só com homens na composição dos titulares do Pleno. Até hoje o TCE também não elegeu uma mulher para o mais alto posto. E em grande parte entidades de classe os espaços mais importantes também não são ocupados por homens.

Apenas com dados técnicos fica evidente que sociedade está muito distante de promover a igualdade de gênero. O dia  8 de março, decididamente, não é um dia para ganhar flores, é para questionar, reclamar, denunciar… É dia pôr fim à discriminação e todo o tipo de  violência.