Mulheres são donas de casa na visão de Heitor Müller e Temer


Divulgação ONU Muheres

Ouvindo a entrevista do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) no Gaúcha Atualidade, da rádio Gaúcha, fiquei irritada, bati boca com o rádio e debati com o convidado, como é meu costume quando um assunto é polêmico. Heitor Müller comentava a retração da indústria gaúcha e citou várias vezes que a DONA DE CASA não está comprando. Isso seria, na opinião dele, um receio de que o marido ou o filho ficassem desempregados.

Tive a impressão de que o industrial desconhece os dados do próprio setor no país, pois, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a indústria teve um crescimento no emprego formal feminino de 14,3% nos último 20 anos.

A manifestação de Müller me fez lembrar do desastroso e criticado discurso de Michel Temer em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Segundo o presidente ninguém entende mais do que as mulheres de “indicar desajustes nos preços do supermercado” e de “detectar flutuações econômicas, pelo orçamento doméstico maior ou menor”, além de outras observações irritantes e infelizes.

Ainda sobre o estudo do Ministério, houve crescimento mesmo naquelas funções ocupadas predominantemente por homens, como é o caso dos setores da construção civil e de metalmecânica. Nesses 20 anos a proporção de postos de trabalho ocupados por mulheres teve alta de 39,9% na metalurgia, de 37,3% na indústria mecânica e de 31,1% na construção civil.

São declarações como as de Temer e Müller que reforçam o pensamento machista e inibem a presença das mulheres no mercado de trabalho, em entidades representativas, instituições e instâncias dos poderes constituídos. No caso específico da Fiergs, a diretoria é composta por 51 pessoas, mas só tem uma mulher, Doris Sphor no Conselho Fiscal. Bastante semelhante ao governo atual que tem apenas a advogada-geral da União Grace Mendonça e a secretária de Direitos Humanos Luislinda Valois.

Diversas empresas de vários países estabeleceram metas para a inserção das mulheres em diretorias e conselhos de administração. A ONU Mulheres e o Pacto Global criaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres, um conjunto de considerações que ajudam a comunidade empresarial a incorporar em seus negócios valores e práticas que visem à equidade de gênero.

Se a mudança não ocorrer pelo simples objetivo de reduzir as desigualdades, então que seja pelo capital. Não faltam estudos internacionais revelando que empresas com mulheres nas suas diretorias são mais rentáveis.