Dizem que “foi Marielle, mas poderia ser qualquer um”. Não concordo

Discordo de quem diz: foi a Marielle, vereadora do PSOL, mas poderia ser a liderança de qualquer partido, do DEM ou até do partido do Bolsonaro.

NÃO, CLARO QUE NÃO! Não poderia mesmo. Tudo que sabemos sobre políticos e/ou líderes comunitários executados, é que eles NÃO são da direita. Aliás, não conheço nenhum líder político da direita, que tenha forjado sua trajetória na defesa dos direitos das minorias.

A morte da Marielle Franco foi uma execução e não um crime pela falta de segurança pública no Rio de Janeiro. Não foi assalto, nem bala perdida. Não foi acidental, muito menos fatalidade, como já ouvi.

Ela foi assassinada por defender as pessoas que não são ouvidas. Pensando melhor, essas pessoas nem têm voz e a Marielle as ensinava a falar através da sua luta. Ela atrapalhou os planos de quem está habituado a oprimir.

Tem quem goste de dar plenos poderes à polícia e aprova, incontestavelmente, suas ações. Mesmo quando age com truculência e inúmeras vezes mata pessoas inocentes.
Quem nunca viu a polícia tratar cidadãos comuns como criminosos? E isso acontece por um motivo muito simples: essas pessoas estão em vilas e favelas, são pobres e negras. Basta isso para ser confundido com bandido.

A Marielle era essa pessoa que muita gente considera bandido, vândalo, traficante, ou só mais uma “negra metida”. Depois que conheceram sua história e viram a repercussão nacional e internacional ficaram admirados.

E quem acha exagerada a cobertura da sua morte, talvez tenha que rever seus conceitos de humanidade, solidariedade e, até, civilidade.

O crime

A vereadora Marielle Franco(PSOL), o motorista Anderson Gomes, que também morreu, e a assessora de imprensa, que não teve o mome divulgado, foram alvejados por volta das 21h30, na rua Joaquin Palhares, no bairro do Estácio, Centro do Rio.

De acordo com a polícia, um outro carro encostou do lado e foram feitos ao menos nove disparos na direção do banco do Chevrolet Agile branco. A vereadora foi atingida por quatro tiros na cabeça e pescoço. O motorista recebeu três disparos nas costas. A jornalista que estava no banco dos passageiros foi ferida pelos estilhaços.

Ela participava de um encontro com mulheres negras, no bairro da Lapa. O crime ocorreu poucos minutos depois deles deixarem o local.